Tuberculose Latente: Diagnóstico em Imunossuprimidos

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 72 anos de idade, institucionalizado em instituição de longa permanência (ILP), foi trazido ao ambulatório após resultado positivo de um teste PPD. Este exame foi solicitado pelo médico da instituição para todos os pacientes no contexto de rastreamento. É assintomático do ponto de vista respiratório e nega contato recente com paciente com tuberculose. Tem história de doença renal crônica dialítica, não sendo candidato a transplante renal. O seu PPD foi de 8mm. Qual é a conduta que deve ser adotada quanto ao diagnóstico e tratamento de tuberculose latente neste paciente?

Alternativas

  1. A) Orientar que o tratamento só estará indicado se o paciente apresentar sintomas compatíveis com a doença, como tosse e febre vespertina.
  2. B) Tendo em vista a presença de imunossupressão pela doença renal crônica dialítica, o tratamento deve ser iniciado, já que o PPD é maior que 5mm.
  3. C) O teste deve ser repetido em 4 a 6 semanas e, caso haja incremento de 10mm, o tratamento com isoniazida estará indicado.
  4. D) Tendo em vista o contexto e comorbidades do paciente, deve-se iniciar o tratamento com esquema básico para tuberculose latente.
  5. E) O teste deve ser repetido em 6 meses e, caso se mantenha positivo em 8mm, o tratamento com rifampicina estará indicado.

Pérola Clínica

PPD em imunossuprimido com 5-9mm → repetir em 4-6 semanas; se ↑ 10mm → tratar TBL.

Resumo-Chave

Em pacientes imunossuprimidos, como os com doença renal crônica dialítica, um PPD entre 5mm e 9mm pode ser inconclusivo. A repetição do teste após 4 a 6 semanas é crucial para identificar uma viragem tuberculínica, que indicaria a necessidade de tratamento para tuberculose latente.

Contexto Educacional

A tuberculose latente (TBL) representa um reservatório significativo para a doença ativa, sendo crucial seu diagnóstico e tratamento, especialmente em populações de risco. O teste PPD (Derivado Proteico Purificado) é uma ferramenta diagnóstica essencial, mas sua interpretação varia conforme o status imunológico do paciente. Em idosos institucionalizados e pacientes com doença renal crônica dialítica, a imunossupressão é uma preocupação, elevando o risco de progressão da TBL para doença ativa. A fisiopatologia da TBL envolve a contenção do Mycobacterium tuberculosis pelo sistema imune, sem manifestação clínica. O diagnóstico por PPD baseia-se na reação de hipersensibilidade tardia. Em imunossuprimidos, um PPD ≥ 5mm é considerado positivo. Contudo, resultados entre 5-9mm podem ser indeterminados, necessitando de uma segunda avaliação para identificar uma viragem tuberculínica, definida como um aumento de 10mm em relação a um teste anterior negativo ou inconclusivo, confirmando a infecção. A conduta para TBL confirmada em imunossuprimidos é o tratamento, geralmente com isoniazida, para prevenir a progressão para tuberculose ativa. O prognóstico é favorável com o tratamento adequado, mas a adesão e o monitoramento de efeitos adversos são fundamentais, especialmente em pacientes com comorbidades como a DRC, que podem exigir ajustes na dosagem e maior vigilância.

Perguntas Frequentes

Qual o critério de PPD positivo em pacientes imunossuprimidos?

Em imunossuprimidos, um PPD ≥ 5mm é considerado positivo. No entanto, valores entre 5-9mm podem exigir reavaliação para confirmar viragem tuberculínica.

Quando repetir o teste PPD em casos inconclusivos?

O teste PPD deve ser repetido em 4 a 6 semanas se o resultado inicial for entre 5-9mm em pacientes de risco, como imunossuprimidos, para verificar um incremento significativo.

Qual o tratamento para tuberculose latente em pacientes com DRC dialítica?

O tratamento da tuberculose latente em pacientes com DRC dialítica geralmente envolve isoniazida por 6 a 9 meses, com ajuste de dose e monitoramento rigoroso devido à comorbidade.

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