USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Um homem de 26 anos, sem antecedentes patológicos relevantes, assintomático, encaminhado para a Unidade de Saúde da Família onde você trabalha como médico. A carta de encaminhamento foi assinada pelo médico do trabalho de uma construtora que está contratando o jovem como pedreiro. Nela, o colega solicita sua avaliação devido a identificação de teste tuberculínico positivo em 5mm nos exames admissionais. Os demais exames de sangue realizados não identificaram anormalidades. A carteira de vacinação está em dia, segundo as recomendações do Programa Nacional de Imunização para a faixa etária. Diante deste cenário, assinale a alternativa que contém a conduta mais apropriada para o caso.
PPD 5mm em adulto → investigar fatores de risco (contato, HIV) e excluir doença ativa (Rx tórax) antes de tratar Tb latente.
Um teste tuberculínico positivo de 5mm em um adulto, mesmo assintomático e com BCG em dia, requer investigação. É fundamental excluir doença ativa com radiografia de tórax e identificar fatores de risco para reativação, como contato com casos de tuberculose pulmonar ou imunossupressão (ex: HIV), antes de considerar o tratamento da tuberculose latente.
A tuberculose latente (TBL) representa um reservatório de infecção que pode progredir para doença ativa, especialmente em indivíduos imunocomprometidos. O diagnóstico precoce e o tratamento da TBL são estratégias importantes para o controle da tuberculose. A prevalência de TBL é alta em muitas regiões, e a identificação de indivíduos em risco é um desafio na atenção primária. A avaliação de um teste tuberculínico (PPD) positivo requer uma abordagem sistemática. É crucial diferenciar a infecção latente da doença ativa, que exige tratamento imediato e medidas de controle de infecção. Fatores como a história de contato com casos de tuberculose, condições de imunossupressão (como infecção por HIV) e achados radiológicos são determinantes na decisão de tratar a TBL. A vacinação com BCG pode causar um PPD positivo, mas a magnitude da induração e o contexto clínico são essenciais para a interpretação. O tratamento da TBL visa prevenir a progressão para doença ativa e é indicado para grupos de alto risco. As opções terapêuticas incluem esquemas com isoniazida ou rifapentina, com durações variadas. A decisão de iniciar o tratamento deve ser individualizada, considerando o risco-benefício e a adesão do paciente, sempre após a exclusão de doença ativa.
Em adultos, um PPD é considerado positivo com induração de 5mm ou mais em imunocomprometidos (HIV, transplantados), contatos próximos de casos de TB ativa, ou com alterações radiológicas sugestivas de TB prévia. Para outros grupos, como profissionais de saúde ou imigrantes de áreas de alta prevalência, o ponto de corte pode ser 10mm.
A investigação de contato é crucial porque a exposição recente a um caso de tuberculose pulmonar ativa aumenta significativamente o risco de infecção latente e progressão para doença ativa. Identificar essa exposição direciona a conduta e a necessidade de tratamento profilático.
O RX de tórax é essencial para excluir doença tuberculosa ativa, que requer tratamento completo e isolamento. A sorologia para HIV é fundamental, pois a infecção pelo HIV é o principal fator de risco para a reativação da tuberculose latente, tornando o tratamento da TBL prioritário nesses pacientes.
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