Tuberculose Intestinal: Diagnóstico e Achados Histológicos

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher de 69 anos, transplantada renal há 7 anos, em uso de imunossupressores (ciclosporina, micofenolato de mofetila e prednisona), procura pronto-socorro com dor abdominal de forte intensidade iniciada há 1 dia, localizada inicialmente em flanco e fossa ilíaca esquerda, associada a náuseas, vômitos e diarreia. Ao exame, apresenta-se em regular estado geral, com abdome distendido, doloroso difusamente e ruídos hidroaéreos abolidos. Evolui com instabilidade hemodinâmica. A tomografia computadorizada evidenciou espessamento circunferencial subestenosante em íleo distal, densificação da gordura adjacente, distensão de alças a montante e líquido livre abdominal, sem coleções organizadas. A paciente evoluiu com instabilidade hemodinâmica, sendo submetida a laparotomia exploradora, que revelou segmento de ileo isquêmico e estenosado (30 cm), sem perfuração. Foi realizada enterectomia com ileostomia. O anatomopatológico da peça cirúrgica demonstrou granulomas epitelioides com necrose caseosa e células gigantes multinucleadas. O diagnóstico mais provável com base nesses achados clínicohistopatológicos, dentre os abaixo, é:

Alternativas

  1. A) Doença de Crohn.
  2. B) Actinomicose intestinal.
  3. C) Tuberculose intestinal.
  4. D) Linfoma intestinal.
  5. E) Infecção fúngica invasiva (histoplasmose).

Pérola Clínica

Granuloma com necrose caseosa em imunossuprimido → Tuberculose intestinal.

Resumo-Chave

A tuberculose intestinal mimetiza a Doença de Crohn, mas a presença de necrose caseosa no anatomopatológico é o diferencial patognomônico para o diagnóstico de TB.

Contexto Educacional

A tuberculose intestinal é uma forma comum de TB extrapulmonar, especialmente em pacientes vivendo com HIV ou transplantados. O íleo distal e o ceco são os locais mais afetados devido à estase relativa e abundância de tecido linfoide (placas de Peyer). A apresentação clínica é inespecífica, variando de dor crônica a quadros agudos de abdome obstrutivo ou isquêmico. O diagnóstico histopatológico padrão-ouro revela granulomas epitelioides com necrose caseosa. O tratamento envolve o esquema antituberculoso padrão, mas a cirurgia é reservada para complicações mecânicas.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar Tuberculose Intestinal de Doença de Crohn?

A diferenciação é desafiadora, pois ambas podem apresentar dor abdominal, febre e acometimento ileal. O diferencial definitivo é histopatológico: a tuberculose apresenta granulomas maiores, confluentes e com necrose caseosa central, enquanto na Doença de Crohn os granulomas são pequenos, não-caseosos e discretos. Além disso, a pesquisa de BAAR ou cultura de tecido pode confirmar a TB.

Por que pacientes transplantados têm maior risco de TB extrapulmonar?

A imunossupressão crônica (uso de inibidores de calcineurina e corticoides) prejudica a imunidade celular mediada por linfócitos T, essencial para conter o Mycobacterium tuberculosis. Isso facilita a reativação de focos latentes ou a disseminação hematogênica para sítios extrapulmonares, como o trato gastrointestinal.

Qual a conduta na obstrução intestinal por TB?

O tratamento inicial da TB intestinal é farmacológico (esquema RIPE). No entanto, complicações como perfuração, fístulas ou estenoses sintomáticas com obstrução/isquemia (como no caso clínico) exigem intervenção cirúrgica, geralmente enterectomia do segmento acometido seguida de tratamento medicamentoso.

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