UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
O segmento do intestino acometido com maior frequência por infecção causada pela Mycobacterium tuberculosis é:
Tuberculose intestinal → acometimento mais comum: íleo terminal (similar à Doença de Crohn).
O íleo terminal é a região mais frequentemente afetada pela tuberculose intestinal devido à sua rica vascularização linfática e à estase fisiológica, que favorecem o contato prolongado do bacilo com a mucosa. Isso o torna um sítio comum para a entrada e proliferação do Mycobacterium tuberculosis.
A tuberculose intestinal é uma forma extrapulmonar da tuberculose, com incidência crescente em algumas regiões. É crucial para o residente de medicina reconhecer suas manifestações, pois o diagnóstico tardio pode levar a complicações graves como obstrução, perfuração ou fístulas. A compreensão da epidemiologia e dos fatores de risco, como imunossupressão, é fundamental para a suspeita clínica. A fisiopatologia envolve a ingestão de bacilos (em casos de tuberculose pulmonar ativa ou leite contaminado) ou disseminação hematogênica. O íleo terminal é o sítio preferencial devido às suas características anatômicas e imunológicas. O diagnóstico é complexo e exige uma abordagem multidisciplinar, incluindo endoscopia com biópsia, exames de imagem (tomografia, ressonância) e testes microbiológicos. A presença de granulomas caseosos é um achado patognomônico, mas nem sempre presente. O tratamento da tuberculose intestinal segue os mesmos princípios da tuberculose pulmonar, com esquemas de múltiplos fármacos por um período prolongado. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas complicações cirúrgicas podem ser necessárias em casos de obstrução, perfuração ou fístulas. A vigilância para efeitos adversos dos medicamentos e a adesão ao tratamento são pontos críticos na gestão desses pacientes.
Os sintomas da tuberculose intestinal são inespecíficos e podem incluir dor abdominal crônica, perda de peso, febre, diarreia ou constipação, e massa palpável no abdome. Podem mimetizar outras doenças inflamatórias intestinais.
O íleo terminal é o local mais acometido devido à sua abundância de tecido linfoide (placas de Peyer), estase fisiológica e maior absorção de líquidos, fatores que facilitam a proliferação e penetração do bacilo de Koch na mucosa.
A diferenciação é desafiadora, pois ambas podem apresentar granulomas e lesões transmurais. O diagnóstico envolve biópsia (com pesquisa de BAAR e cultura), testes moleculares, exames de imagem e, por vezes, resposta ao tratamento antituberculoso empírico.
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