SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Isadora, de oito anos, vem acompanhada da avó para a consulta. A avó relata inapetência, perda ponderal progressiva, tosse seca, palidez e febre não aferida há quatro meses. Refere ainda que não trouxe a neta antes por dificuldade de locomoção à UBS. Quando questionada a respeito dos pais de Isadora, relata que o pai está preso e que a mãe faleceu há um ano por tuberculose. Ao exame físico, você nota quadro de desnutrição grave e ausculta pulmonar abolida em ápice à esquerda. Assinale a alternativa com a conduta a ser tomada.
Criança com contato TB + sintomas crônicos + exame alterado → diagnóstico clínico-epidemiológico e iniciar tratamento.
Em crianças, especialmente com contato epidemiológico conhecido (mãe com TB) e quadro clínico sugestivo (sintomas constitucionais, desnutrição, achados pulmonares), o diagnóstico de tuberculose pode ser estabelecido pelo sistema de escore do Ministério da Saúde, permitindo o início precoce do tratamento, que deve ser ajustado ao peso.
A tuberculose (TB) em crianças representa um desafio diagnóstico significativo, pois a doença pode se manifestar de forma atípica e a confirmação bacteriológica é frequentemente difícil. No Brasil, o diagnóstico de TB infantil é frequentemente baseado em critérios clínico-epidemiológicos, utilizando um sistema de escore validado pelo Ministério da Saúde. A história de contato com um adulto bacilífero, como a mãe falecida por TB no caso de Isadora, é um fator epidemiológico de extrema relevância. Clinicamente, a TB em crianças pode apresentar sintomas inespecíficos como febre prolongada, tosse persistente (geralmente seca), perda de peso, inapetência e retardo do crescimento, como observado na paciente. O exame físico pode revelar achados pulmonares como diminuição do murmúrio vesicular ou macicez, indicando consolidação ou derrame pleural. A desnutrição grave é um fator de risco e uma consequência da TB, agravando o quadro. Diante de um quadro clínico-epidemiológico tão sugestivo, com alta probabilidade de TB, a conduta mais adequada é iniciar o tratamento empírico para tuberculose, ajustado ao peso da criança, sem aguardar a confirmação bacteriológica, que pode demorar ou ser negativa. A prova tuberculínica (PPD) e a radiografia de tórax são exames complementares importantes para o sistema de escore, mas não devem atrasar o início da terapia em casos de alta suspeita. O tratamento precoce é fundamental para evitar a progressão da doença e suas complicações.
O diagnóstico clínico-epidemiológico em crianças é baseado na história de contato com caso de TB, sintomas clínicos sugestivos (tosse persistente, febre, perda de peso, inapetência), achados radiológicos e, se disponível, prova tuberculínica (PPD) reatora, utilizando um sistema de escore.
Em crianças, a tuberculose pulmonar é frequentemente paucibacilar, o que significa que a carga bacteriana é baixa, tornando a baciloscopia de escarro (e até mesmo a cultura) frequentemente negativa ou difícil de obter devido à dificuldade de coleta de escarro.
O sistema de escore do Ministério da Saúde permite uma avaliação conjunta de critérios clínicos, epidemiológicos, radiológicos e imunológicos, facilitando o diagnóstico presuntivo da tuberculose em crianças e possibilitando o início rápido do tratamento, mesmo sem confirmação bacteriológica.
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