FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Menina de 6 anos, há 15 dias apresentando tosse, adinamia e anorexia, evoluindo nos últimos quatro dias com febre baixa e com piora clínica progressiva. Foi iniciado Ceftriaxona endovenosa na origem e transferida hospital de referência. À radiografia de tórax evidenciado consolidação extensa a esquerda, com pequeno derrame pleural. Foi realizado toracocentese, sem necessidade de drenagem pleural. Recebeu dois esquemas antibióticos amplos para germes comuns e atípicos durante o período de 15 dias, evoluindo sem melhora clínico-radiológica. A conduta adequada para essa paciente é:
Pneumonia arrastada + Falha terapêutica ATB + PPD positivo → Diagnóstico de Tuberculose em pediatria.
Em crianças, a tuberculose é paucibacilar e o diagnóstico é eminentemente clínico-radiológico, apoiado pela prova tuberculínica (PPD) e histórico de contato, sem necessidade de confirmação bacteriológica.
A tuberculose na infância apresenta desafios diagnósticos únicos. Diferente do adulto, a forma primária é a mais comum, caracterizando-se por adenomegalia hilar e consolidações que podem evoluir para derrame pleural. A falta de resposta a antibióticos de amplo espectro para pneumonias comuns (como ceftriaxona ou macrolídeos) em um quadro de tosse persistente e febre baixa deve sempre levantar a suspeita de TB. O diagnóstico baseia-se na alta probabilidade clínica. O sistema de pontuação do Ministério da Saúde é uma ferramenta validada que permite o início do tratamento precocemente. O tratamento segue o esquema básico (Rifampicina, Isoniazida e Pirazinamida para crianças < 10 anos), com excelente resposta clínica na maioria dos casos. A investigação de contatos domiciliares é obrigatória para identificar a fonte da infecção.
A tuberculose na criança é geralmente paucibacilar, ou seja, há uma carga bacteriana baixa nos pulmões. Além disso, crianças pequenas não conseguem expectorar adequadamente. Por isso, a baciloscopia direta e até a cultura têm baixa sensibilidade (frequentemente < 20%), não devendo sua negatividade afastar o diagnóstico.
O Ministério da Saúde utiliza um sistema de pontos que considera: quadro clínico (febre, tosse, emagrecimento), radiografia de tórax (consolidações, adenomegalias), histórico de contato com adulto bacilífero, estado nutricional e o resultado da prova tuberculínica (PPD). Uma pontuação ≥ 40 pontos torna o diagnóstico muito provável e autoriza o início do tratamento.
Atualmente, no Brasil, considera-se um PPD (ou Teste Tuberculínico) ≥ 5 mm como positivo, independentemente do estado vacinal prévio (BCG), especialmente em crianças com quadro clínico sugestivo ou contatos de casos bacilíferos. Um resultado positivo indica infecção e, no contexto de sintomas, corrobora o diagnóstico de doença ativa.
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