Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2021
Nos pacientes com imunossupressão grave, pode-se afirmar que:
Imunossupressão grave → TB extrapulmonar/disseminada = IO comum, investigação ativa.
Em pacientes gravemente imunossuprimidos, a tuberculose frequentemente se manifesta de formas atípicas, como extrapulmonar ou disseminada, devido à falha na contenção da infecção pelo sistema imune. É crucial incluir essas formas nas investigações de infecções oportunistas, pois a apresentação pulmonar clássica pode estar ausente ou ser menos proeminente.
A tuberculose (TB) é uma das principais infecções oportunistas em pacientes com imunossupressão grave, como aqueles com HIV/AIDS, transplantados, em uso de imunobiológicos ou quimioterapia. A epidemiologia da TB em imunossuprimidos é marcada por uma maior incidência e formas clínicas mais graves e atípicas, representando um desafio diagnóstico e terapêutico significativo. A compreensão dessas particularidades é crucial para a prática clínica. A fisiopatologia da TB em imunossuprimidos difere da doença em indivíduos imunocompetentes. A deficiência na imunidade mediada por células T e macrófagos impede a formação adequada de granulomas, facilitando a disseminação do Mycobacterium tuberculosis. Consequentemente, as manifestações extrapulmonares (linfadenite, pleural, óssea, meníngea, abdominal) e disseminadas (miliar) são mais frequentes, enquanto a apresentação pulmonar clássica pode ser sutil ou ausente. A suspeita clínica deve ser alta em qualquer paciente imunossuprimido com febre prolongada, perda de peso ou sintomas inespecíficos. O tratamento da TB em imunossuprimidos segue os mesmos princípios da terapia padrão, mas pode exigir durações mais longas e monitoramento rigoroso devido à maior toxicidade medicamentosa e interações. A profilaxia para TB latente é fundamental em grupos de risco. O prognóstico depende da gravidade da imunossupressão e da prontidão do diagnóstico e tratamento, sendo a mortalidade mais elevada nas formas disseminadas. A atenção a essas formas atípicas é um ponto chave para residentes.
Os sinais podem ser inespecíficos e variar conforme o sítio acometido, incluindo linfadenopatia, dor abdominal, sintomas neurológicos, febre de origem indeterminada e perda de peso. A ausência de sintomas pulmonares é comum.
A imunossupressão compromete a capacidade do sistema imune de conter o Mycobacterium tuberculosis, levando à reativação ou primoinfecção com disseminação hematogênica e linfática, resultando em envolvimento de múltiplos órgãos.
O diagnóstico envolve a identificação do bacilo em múltiplos sítios extrapulmonares ou em hemoculturas, além de biópsias de órgãos suspeitos. Testes moleculares e cultura são fundamentais para a confirmação.
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