Tuberculose Materna e Amamentação: Condutas e Protocolos

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2018

Enunciado

Tendo como referência as diretrizes da Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), da Política Nacional de Promoção, Proteção e Apoio ao Aleitamento Materno e da Rede Cegonha, julgue o item seguinte. Para a segurança do recém-nascido, caso a mãe seja diagnosticada com tuberculose pulmonar bacilífera, a amamentação deve ser interrompida.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

TB materna ≠ interrupção da amamentação; usar máscara e iniciar quimioprofilaxia no RN.

Resumo-Chave

A transmissão da TB ocorre por via aérea, não pelo leite. O manejo foca na proteção do RN via máscara cirúrgica materna e quimioprofilaxia, postergando a BCG.

Contexto Educacional

A Política Nacional de Atenção Básica e as diretrizes de aleitamento materno enfatizam que a tuberculose pulmonar, mesmo na forma bacilífera, não constitui uma contraindicação ao aleitamento. O foco do manejo clínico é a prevenção da transmissão aérea através do uso de máscaras cirúrgicas pela mãe durante o contato próximo e a amamentação, além do manejo profilático do recém-nascido. A separação do binômio não é recomendada pelas políticas de saúde brasileiras, pois prejudica o estabelecimento do vínculo afetivo e a nutrição ideal do lactente. É fundamental o acompanhamento rigoroso pela atenção primária para monitorar a adesão ao tratamento materno e à quimioprofilaxia do bebê, garantindo a segurança de ambos.

Perguntas Frequentes

Por que a amamentação é mantida na TB bacilífera?

A transmissão da tuberculose é aerógena, através de gotículas e aerossóis, e não pelo leite materno. O benefício do aleitamento materno supera os riscos de transmissão, desde que medidas de barreira, como o uso de máscara cirúrgica pela mãe durante a amamentação, e a profilaxia medicamentosa para o lactente sejam implementadas rigorosamente conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.

Qual a conduta para o RN de mãe com TB bacilífera?

O recém-nascido não deve ser vacinado com BCG ao nascer. Deve-se iniciar a quimioprofilaxia primária (Isoniazida ou Rifampicina) por 3 meses. Após esse período, realiza-se o teste tuberculínico (PTT). Se o PTT for menor que 5mm, interrompe-se a profilaxia e vacina-se com BCG. Se o PTT for maior ou igual a 5mm, mantém-se a profilaxia por mais 3 meses e não se vacina com BCG.

Quando a amamentação deve ser realmente interrompida?

As contraindicações absolutas ao aleitamento no Brasil incluem infecção por HIV e HTLV. No caso da tuberculose, a interrupção só seria considerada em situações excepcionais de mastite tuberculosa ativa com presença confirmada de bacilos no leite, o que é extremamente raro na prática clínica.

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