UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Homem, 45 anos, com histórico de vírus da imunodeficiência humana (HIV) positivo, apresenta sintomas de micção dolorosa, hematúria e dor lombar crônica. Teste tuberculínico (PPD): negativo. Radiografia do tórax: anormalidades sugestivas de tuberculose pulmonar. Cultura de urina: bacilos álcool-ácido resistentes. Pode-se afirmar, neste contexto, que:
Hematúria + Piúria estéril + Sintomas obstrutivos → Suspeitar de TB Geniturinária.
A tuberculose geniturinária é a terceira forma mais comum de TB extrapulmonar, frequentemente apresentando-se com piúria 'estéril' e hematúria.
A tuberculose geniturinária (TBUG) é uma manifestação insidiosa que frequentemente leva à destruição progressiva do parênquima renal e estenoses ureterais se não tratada precocemente. A fisiopatologia envolve a formação de granulomas no córtex renal que podem romper para o sistema coletor, espalhando a infecção para a bexiga, próstata e epidídimo. Em pacientes com HIV, a apresentação pode ser mais agressiva e atípica. A tríade clássica de piúria estéril, hematúria e sintomas miccionais irritativos deve sempre levantar a suspeita. O tratamento segue o esquema básico de tuberculose (RIPE), mas complicações obstrutivas podem exigir intervenção urológica para preservação da função renal.
A tuberculose geniturinária (TBUG) é classicamente considerada a terceira forma mais comum de tuberculose extrapulmonar, após a linfonodal e a pleural. Ela resulta da disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis para o córtex renal durante a infecção primária, podendo permanecer latente por anos antes de causar sintomas clínicos.
O diagnóstico baseia-se na demonstração de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) na urina. Recomenda-se a coleta de pelo menos 3 a 5 amostras de urina matinal para cultura em meio específico (como Lowenstein-Jensen) ou testes moleculares (como o TRM-TB/GeneXpert). A presença de piúria ácida estéril (leucocitúria sem crescimento bacteriano em meios comuns) é um achado clássico.
Não. Em pacientes vivendo com HIV/AIDS, especialmente aqueles com contagem de CD4 baixa, a resposta ao teste tuberculínico (PPD) pode ser negativa devido à anergia cutânea. Portanto, um PPD não reagente nunca deve ser utilizado para excluir tuberculose ativa, seja pulmonar ou extrapulmonar, nesses indivíduos.
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