UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022
O Brasil está entre os 30 países de alta carga para TB, considerados prioritários pela Organização Mundial de Saúde para o controle da doença no mundo. Nos últimos anos, foram diagnosticados, em média, 70 mil casos novos da doença. As formas extrapulmonares representam, muitas vezes, um grande desafio diagnóstico e terapêutico.Sobre a tuberculose extrapulmonar, considere as afirmativas a seguir.I. A tuberculose de coluna (Mal de Pott) é responsável por até 50% dos casos de tuberculose óssea, sendo a coluna torácica baixa e lombar os locais mais comumente acometidos. O tratamento pode ser feito com antituberculostáticos por 12 meses.II. A tuberculose pericárdica tem apresentação subaguda ou crônica. Os sintomas mais comuns são dor torácica, tosse seca, dispneia e, raramente, evolui para tamponamento cardíaco. O tratamento de escolha é feito com antituberculostáticos por, pelo menos, 6 meses.III. A meningite tuberculosa tem, geralmente, apresentação clínica subaguda ou crônica. A análise do líquor apresenta pleocitose com predomínio linfomononuclear com hipoglicorraquia e pesquisa de BAAR (bacilos álcool-ácido resistentes) em líquor frequentemente positiva. O tratamento é realizado com antituberculostáticos associados a corticoides por 9 a 12 meses.IV. O diagnóstico de tuberculose pleural é, costumeiramente, realizado pela análise do líquido pleural, que tem características clássicas de exsudato com predomínio de polimorfonucleares e níveis elevados de adenosina deaminase (ADA). O tratamento de escolha é feito com antituberculostáticos por 6 meses.Assinale a alternativa correta.
Mal de Pott (TB óssea) → tratamento 12 meses. TB pericárdica → tratamento ≥ 6 meses. BAAR em líquor para meningite TB raramente positivo.
A tuberculose extrapulmonar apresenta desafios diagnósticos e terapêuticos. O Mal de Pott, forma mais comum de TB óssea, requer tratamento prolongado por 12 meses. A tuberculose pericárdica tem apresentação subaguda/crônica e seu tratamento dura pelo menos 6 meses. É crucial lembrar que a pesquisa de BAAR no líquor para meningite tuberculosa tem baixa sensibilidade, e o derrame pleural tuberculoso tipicamente apresenta predomínio linfomononuclear, não polimorfonuclear.
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium tuberculosis, com o Brasil figurando entre os países de alta carga. Embora a forma pulmonar seja a mais comum, as manifestações extrapulmonares representam um desafio diagnóstico e terapêutico significativo, podendo afetar praticamente qualquer órgão. A compreensão das particularidades de cada forma extrapulmonar é crucial para o manejo clínico adequado e para a preparação em provas de residência médica. A fisiopatologia da tuberculose extrapulmonar envolve a disseminação hematogênica ou linfática do bacilo a partir de um foco primário, geralmente pulmonar. As formas mais comuns incluem a tuberculose de coluna (Mal de Pott), que acomete principalmente a coluna torácica baixa e lombar, podendo levar a deformidades e déficits neurológicos. A tuberculose pericárdica, embora rara, pode causar dor torácica, dispneia e, em casos graves, tamponamento cardíaco. A meningite tuberculosa é uma forma grave, com apresentação subaguda ou crônica, e o diagnóstico do líquor é fundamental, embora a pesquisa de BAAR tenha baixa sensibilidade. A tuberculose pleural, por sua vez, manifesta-se como um derrame pleural exsudativo. O tratamento da tuberculose extrapulmonar segue os mesmos princípios da tuberculose pulmonar, utilizando esquemas com múltiplos antituberculostáticos. No entanto, a duração do tratamento pode variar. Para o Mal de Pott, recomenda-se 12 meses de tratamento, enquanto para a tuberculose pericárdica e pleural, a duração mínima é de 6 meses. Na meningite tuberculosa, o tratamento é prolongado (9 a 12 meses) e a associação com corticoides é rotineira para reduzir a inflamação e suas sequelas. O diagnóstico dessas formas muitas vezes exige biópsias e culturas de tecidos específicos, além de exames de imagem e análise de fluidos corporais. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas complicações podem ocorrer, especialmente em formas graves como a meningite.
Na meningite tuberculosa, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio linfomononuclear, hipoglicorraquia (glicose baixa) e proteinorraquia elevada. A pesquisa de BAAR no líquor, no entanto, tem baixa sensibilidade e é frequentemente negativa, exigindo outros métodos diagnósticos como cultura ou PCR.
O tratamento para o Mal de Pott (tuberculose de coluna) geralmente é feito com antituberculostáticos por 12 meses. Para a tuberculose pericárdica, o tratamento de escolha também é com antituberculostáticos por, pelo menos, 6 meses, podendo ser associado a corticoides em alguns casos.
O líquido pleural na tuberculose pleural é caracteristicamente um exsudato com predomínio de linfomononucleares (não polimorfonucleares), níveis elevados de adenosina deaminase (ADA) e proteínas. A pesquisa de BAAR no líquido pleural também tem baixa sensibilidade, sendo a biópsia pleural com histopatológico e cultura mais diagnóstica.
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