Tuberculose em Crianças: Conduta no Contato Domiciliar

UEM - Hospital Universitário de Maringá (PR) — Prova 2020

Enunciado

Pré-escolar de 4 anos, é trazido à UBS por sua mãe que encontra-se preocupada pois o pai da criança foi diagnosticado com tuberculose pulmonar há 10 dias, tendo iniciado tratamento neste momento. A mãe relata que o pai da criança já vinha apresentando tosse há pelo menos 3 meses. Quanto à criança, não há queixas. Vem apresentando bom ganho ponderal e encontra-se eutrófica. Nega tosse, febre ou outros sintomas. Exame físico sem alterações. Diante do quadro, assinale a conduta médica mais adequada.

Alternativas

  1. A) Orientar a mãe que o pai da criança deverá utilizar máscara N95 até que apresente negativação do escarro e liberar a criança pois a mesma encontra-se assintomática.
  2. B) Realizar prova tuberculínica para verificar se a criança encontra-se infectada, sendo dispensável a radiografia de tórax pois a criança encontra-se assintomática.
  3. C) Por tratar-se de uma criança menor de 10 anos com história de contato, deve-se realizar prova tuberculínica e radiografia de tórax.
  4. D) Realizar radiografia de tórax como triagem inicial. Caso esteja alterada, realizar prova tuberculínica.
  5. E) Iniciar tratamento para tuberculose latente pois a história de contato é bastante relevante e o risco da criança estar infectada é bastante elevado.

Pérola Clínica

Criança < 10 anos + contato TB → PPD + RX tórax → avaliar infecção latente/doença ativa.

Resumo-Chave

Em crianças menores de 10 anos com contato domiciliar de tuberculose, mesmo assintomáticas, a conduta inicial deve incluir a realização de Prova Tuberculínica (PPD) e Radiografia de Tórax para rastrear tanto a infecção latente quanto a doença ativa, devido ao alto risco de progressão para doença.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) em crianças representa um desafio diagnóstico e terapêutico significativo, especialmente em países de alta endemicidade. A história de contato domiciliar com um adulto bacilífero é o principal fator de risco para a infecção e o desenvolvimento da doença ativa em crianças, que são mais vulneráveis à progressão da infecção latente para a doença. A identificação e o manejo adequados desses contatos são cruciais para o controle da TB. Em crianças menores de 10 anos com história de contato com caso de TB pulmonar, a conduta inicial deve ser abrangente, mesmo que a criança esteja assintomática. Isso inclui a realização da Prova Tuberculínica (PPD) para avaliar a infecção e a radiografia de tórax para descartar a doença ativa. A PPD positiva indica infecção, mas não diferencia doença latente de ativa. A radiografia de tórax é fundamental para identificar sinais de doença pulmonar, que pode ser sutil em crianças. Após a avaliação, se a criança apresentar PPD reator e radiografia de tórax normal, o diagnóstico é de infecção latente, e o tratamento profilático com isoniazida deve ser iniciado. Se houver alterações na radiografia ou sintomas sugestivos, a investigação para doença ativa deve ser aprofundada. O tratamento da tuberculose latente em crianças é uma medida preventiva eficaz que reduz significativamente o risco de desenvolver a doença ativa, especialmente em grupos de alto risco.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do contato domiciliar para o risco de tuberculose em crianças?

O contato domiciliar com um caso de tuberculose pulmonar bacilífera é o principal fator de risco para infecção e desenvolvimento da doença em crianças, especialmente as menores de 5 anos, devido à imaturidade imunológica.

Por que realizar PPD e radiografia de tórax em crianças expostas à tuberculose?

A Prova Tuberculínica (PPD) avalia a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis, enquanto a radiografia de tórax é essencial para descartar a doença ativa, que pode ser assintomática em crianças pequenas. Ambos são complementares.

Quando se deve iniciar o tratamento da tuberculose latente em crianças?

O tratamento da tuberculose latente é indicado para crianças com PPD reator (ou contato íntimo com bacilífero se PPD não reator e <5 anos) e radiografia de tórax normal, após exclusão de doença ativa.

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