RN de Mãe com Tuberculose: Profilaxia e Conduta

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Recém-nascido de mãe diagnosticada com tuberculose pulmonar e tratamento iniciado 10 dias antes do parto. Qual é a conduta terapêutica para a criança?

Alternativas

  1. A) Vacinar com BCG e tratar com isoniazida por 3 meses, sem necessidade de realizar o PPD antes ou depois do uso da profilaxia com isoniazida, se criança assintomática.
  2. B) Não dar vacina BCG, realizar PPD na primeira semana e se PPD não reator, vacinar com BCG, sem necessidade de profilaxia.
  3. C) Não dar vacina BCG, iniciar profilaxia com isoniazida por 3 meses, realizar PPD e se PPD > 5 mm, com criança assintomática, manter isoniazida até 6 meses.
  4. D) Vacinar com BCG e fazer acompanhamento mensal até o 6º mês de vida, realizar PPD se apresentar alguma sintomatologia.

Pérola Clínica

RN de mãe com TB ativa → Não vacinar BCG, iniciar isoniazida por 3 meses, reavaliar PPD e manter até 6 meses se PPD > 5mm.

Resumo-Chave

Recém-nascidos de mães com tuberculose pulmonar ativa, especialmente se o tratamento materno foi iniciado há menos de 2 meses do parto, têm alto risco de infecção. A conduta é não administrar a BCG ao nascer, iniciar profilaxia com isoniazida por 3 meses, e reavaliar com PPD. Se o PPD for reator (>5mm), a isoniazida deve ser estendida para 6 meses, mesmo se assintomático.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) em gestantes representa um desafio significativo, com risco de transmissão vertical para o recém-nascido (RN), seja por via transplacentária (TB congênita) ou, mais comumente, por exposição pós-natal ao bacilo. A conduta para o RN de mãe com TB pulmonar ativa depende do status do tratamento materno e da presença de sintomas no bebê. O risco é maior se a mãe iniciou o tratamento há menos de 2 meses antes do parto. A fisiopatologia da transmissão envolve a inalação de aerossóis contaminados pela mãe ou a passagem do bacilo pela placenta. O sistema imunológico do RN é imaturo, tornando-o altamente vulnerável a formas graves e disseminadas da doença. A profilaxia é crucial para prevenir a infecção e o desenvolvimento da doença ativa. A conduta recomendada pelo Ministério da Saúde para RNs assintomáticos de mães com TB pulmonar ativa (especialmente se o tratamento materno for recente ou inadequado) é não administrar a vacina BCG ao nascer. Deve-se iniciar a profilaxia com isoniazida por 3 meses. Após esse período, realiza-se o teste tuberculínico (PPD). Se o PPD for reator (≥ 5 mm), a isoniazida deve ser mantida por mais 3 meses, totalizando 6 meses. Se o PPD for não reator, a isoniazida pode ser suspensa e a BCG administrada, desde que a mãe esteja com tratamento adequado e baciloscopia negativa.

Perguntas Frequentes

Por que a vacina BCG é contraindicada em RNs de mães com tuberculose ativa?

A vacina BCG é contraindicada porque o RN pode já estar infectado pelo Mycobacterium tuberculosis ou ter um sistema imune imaturo, aumentando o risco de desenvolver doença disseminada pelo bacilo vacinal (BCGite disseminada).

Qual o esquema de profilaxia com isoniazida para RNs expostos à tuberculose?

A profilaxia inicial é com isoniazida por 3 meses. Após esse período, realiza-se o PPD. Se o PPD for reator (≥ 5 mm), a isoniazida é mantida por mais 3 meses, totalizando 6 meses, mesmo que a criança permaneça assintomática.

Quando um RN de mãe com TB pode receber a vacina BCG?

O RN pode receber a BCG se a mãe estiver em tratamento há pelo menos 2 meses, com baciloscopia negativa e boa adesão, e o RN for assintomático e tiver PPD não reator após o período de profilaxia com isoniazida.

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