FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023
Poliana, 28 anos, deu à luz a um recém-nascido (RN) a termo, com exame físico normal. Ela fora diagnosticada com tuberculose pulmonar há 10 dias, tendo iniciado o tratamento também nessa data. Qual a conduta adequada em relação ao aleitamento materno?
Mãe com TB pulmonar em tratamento há <15 dias → Manter aleitamento com máscara + Isoniazida profilática RN por 3 meses.
Em casos de mãe com tuberculose pulmonar ativa que iniciou tratamento há menos de 15 dias, o aleitamento materno pode ser mantido, desde que a mãe utilize máscara e o recém-nascido receba quimioprofilaxia com isoniazida por 3 meses, seguida de teste tuberculínico.
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa grave, e seu manejo em gestantes e puérperas requer atenção especial para proteger tanto a mãe quanto o recém-nascido (RN). A transmissão da TB para o RN pode ocorrer por via transplacentária (congênita), durante o parto (inalação de secreções) ou, mais comumente, no pós-parto por contato próximo com a mãe bacilífera. Apesar do risco de transmissão, o aleitamento materno é fortemente encorajado devido aos seus inúmeros benefícios, mesmo em mães com TB pulmonar ativa. A conduta adequada visa minimizar o risco de transmissão enquanto se mantém o aleitamento. Se a mãe iniciou o tratamento há menos de 15 dias, ela ainda pode ser bacilífera. Nesses casos, a recomendação é manter o aleitamento materno, com a mãe utilizando máscara N95 ou cirúrgica durante as mamadas e o contato próximo, e o RN deve receber quimioprofilaxia com isoniazida por 3 meses. Após esse período, um teste tuberculínico (PPD) é realizado para reavaliar a conduta. A vacina BCG deve ser administrada ao RN, mas não é um fator para suspender o aleitamento.
O aleitamento materno é contraindicado apenas se a mãe apresentar tuberculose miliar ou meníngea, ou se estiver em tratamento com drogas que são excretadas no leite em concentrações tóxicas (raro com o esquema padrão).
A dose é de 5-10 mg/kg/dia por 3 meses. Após esse período, realiza-se o teste tuberculínico (PPD) para avaliar a necessidade de estender a profilaxia ou iniciar o tratamento.
A máscara é essencial para reduzir a transmissão de bacilos por aerossóis ao recém-nascido, especialmente nos primeiros 15 dias de tratamento da mãe, quando ela ainda pode ser bacilífera e contagiosa.
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