UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023
Paciente feminino de 35 anos, internada para cirurgia plástica, apresenta dor torácica e pontada em região precordial. Paciente faz uso de anticoncepcional oral há 5 anos. Nega outras comorbidades. Exame físico inalterado. ECG sem alterações. Troponina I com resultado de 0,09ng/mL (VR < 0,04ng/mL). A conduta mais apropriada no momento é
Troponina levemente elevada em paciente assintomática, ECG normal e baixo risco → reavaliar, considerar falso positivo ou lesão miocárdica não isquêmica.
Uma elevação discreta da troponina, como 0,09 ng/mL (apenas um pouco acima do VR de 0,04 ng/mL), em uma paciente jovem, sem fatores de risco cardiovasculares clássicos (exceto ACO), com ECG normal e dor atípica, deve ser interpretada com cautela. É mais provável que seja um falso positivo, uma lesão miocárdica mínima não isquêmica (tipo 2) ou um erro laboratorial, do que um infarto agudo do miocárdio tipo 1 que exigiria anticoagulação e cateterismo imediato.
A troponina cardíaca é um biomarcador altamente sensível e específico para lesão miocárdica, sendo fundamental no diagnóstico do infarto agudo do miocárdio (IAM). No entanto, sua elevação não é exclusiva de eventos isquêmicos agudos. Diversas condições cardíacas e não cardíacas podem levar a um aumento dos níveis de troponina, o que exige uma interpretação cuidadosa e contextualizada do resultado laboratorial. É crucial diferenciar entre IAM tipo 1 (ruptura de placa aterosclerótica) e IAM tipo 2 (desbalanço entre oferta e demanda de oxigênio miocárdico), ou outras causas de lesão miocárdica. Em pacientes com dor torácica atípica, ECG normal e elevação discreta da troponina, a probabilidade de um IAM tipo 1 é baixa. Nesses casos, deve-se considerar a possibilidade de um falso positivo, uma lesão miocárdica mínima sem significado clínico agudo, ou uma lesão miocárdica tipo 2 secundária a outras condições. Fatores como idade jovem, ausência de fatores de risco cardiovasculares clássicos e características da dor que não são típicas de isquemia miocárdica reforçam a necessidade de uma abordagem conservadora inicial. A conduta apropriada envolve a reavaliação clínica, a seriagem de marcadores de necrose miocárdica (se houver suspeita persistente) e a investigação de outras causas de dor torácica ou elevação de troponina. A anticoagulação e a antiagregação, juntamente com o cateterismo, são indicadas para IAM de alto risco e não para elevações discretas e isoladas de troponina sem evidência clara de isquemia. O uso de anticoncepcionais orais aumenta o risco trombótico, mas não causa diretamente elevação de troponina sem um evento isquêmico.
A troponina pode se elevar em diversas condições não isquêmicas, como insuficiência cardíaca aguda e crônica, miocardite, sepse, embolia pulmonar, dissecção aórtica, insuficiência renal, taquiarritmias, cardiomiopatia de estresse (Takotsubo) e até exercício físico intenso.
Uma elevação de troponina é clinicamente significativa para IAM quando há um aumento e/ou queda dos valores, com pelo menos um valor acima do percentil 99 do limite superior de referência, na presença de evidências de isquemia miocárdica (sintomas, alterações de ECG, novas ondas Q patológicas, evidência de perda de viabilidade miocárdica em exames de imagem).
O uso de anticoncepcionais orais, especialmente os combinados, aumenta o risco de eventos tromboembólicos venosos e arteriais, incluindo trombose venosa profunda, embolia pulmonar, acidente vascular cerebral e, em menor grau, infarto agudo do miocárdio, principalmente em mulheres com outros fatores de risco.
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