CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Uma mulher de 55 anos, com histórico de varizes e sedentarismo, apresenta edema, dor e calor no membro inferior esquerdo. Qual é a conduta inicial mais indicada para este caso?
Suspeita clínica de TVP (edema unilateral, dor, calor) → confirmação com USG Doppler venoso e início imediato de anticoagulação plena.
Diante de uma alta suspeita clínica de Trombose Venosa Profunda (TVP), a conduta padrão é a confirmação diagnóstica com ultrassonografia Doppler e o início imediato da anticoagulação terapêutica. Atrasar o tratamento aumenta significativamente o risco de embolia pulmonar (EP), uma complicação potencialmente fatal.
A Trombose Venosa Profunda (TVP) é a formação de um coágulo sanguíneo (trombo) no interior de uma veia profunda, mais comumente nos membros inferiores. É uma condição de alta morbimortalidade, principalmente devido ao risco de sua complicação mais grave, a embolia pulmonar (EP). Fatores de risco incluem imobilização prolongada, cirurgias, câncer, uso de contraceptivos orais, gravidez, obesidade e varizes. O diagnóstico baseia-se na suspeita clínica, que pode ser estratificada por escores de probabilidade (como o Escore de Wells), e na confirmação por imagem. O exame de escolha é a ultrassonografia Doppler venosa dos membros inferiores, um método não invasivo, acessível e com alta sensibilidade e especificidade para TVP proximal (acima do joelho), que é a de maior risco para EP. O tratamento deve ser iniciado assim que o diagnóstico é confirmado ou mesmo antes, em casos de alta suspeita clínica e indisponibilidade imediata do exame de imagem. A base do tratamento é a anticoagulação em dose terapêutica (plena), que visa impedir o crescimento do trombo e a ocorrência de embolia. As opções incluem heparinas de baixo peso molecular, heparina não fracionada ou os anticoagulantes orais diretos (DOACs). Atrasar o tratamento ou usar doses profiláticas é inadequado e aumenta o risco de desfechos adversos.
Os sinais clássicos incluem edema (inchaço) unilateral do membro, dor, eritema (vermelhidão) e calor local. A dor à dorsiflexão do pé (sinal de Homans) é um sinal clássico, mas pouco sensível e específico. Muitos casos podem ser assintomáticos.
Em pacientes com alta probabilidade clínica de TVP (calculada por escores como o de Wells), se o exame de imagem não puder ser realizado em poucas horas, é recomendado iniciar a anticoagulação terapêutica empiricamente e realizar o exame assim que possível para confirmar ou excluir o diagnóstico.
A complicação mais temida e aguda é a embolia pulmonar (EP), que ocorre quando um fragmento do trombo se desprende e obstrui as artérias pulmonares. A longo prazo, a principal complicação é a síndrome pós-trombótica, caracterizada por dor crônica, edema e alterações cutâneas no membro afetado.
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