Diagnóstico de TVP no Pós-Operatório: Exame de Escolha

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Homem, com 45 anos de idade, é submetido à cirurgia pélvica com duração de uma hora. No segundo dia de pós-operatório desenvolve quadro de dor na panturrilha, aumento de temperatura e edemas locais. Clinicamente, apresenta Pressão arterial = 140 x 90 mmHg, com Frequência cardíaca = 120 bpm e Frequência respiratória = 30 irpm. Realizado eletrocardiograma, observa-se taquicardia com ritmo sinusal. O método de escolha para o diagnóstico primário da intercorrência apresentada no segundo dia de pós-operatório é:

Alternativas

  1. A) A venografia por ter maior acurácia no diagnóstico e localização do problema e ser pouco invasiva.
  2. B) A dosagem de D-dímero por ter alto valor preditivo positivo e ser bastante específica.
  3. C) A pletismografia de bioimpedância por medir a capacitância venosa e ser pouco invasiva.
  4. D) A venografi a de ressonância magnética por ser ideal em casos agudos e ser bem tolerada pelos pacientes.
  5. E) A ultrassonografia com Doppler por ter ótimo valor preditivo positivo e ser pouco invasiva.

Pérola Clínica

Suspeita de TVP no pós-operatório → Ultrassonografia com Doppler é o exame de escolha.

Resumo-Chave

O Doppler venoso é o método preferencial para diagnóstico de TVP devido à sua alta acurácia, natureza não invasiva e capacidade de visualização direta do trombo.

Contexto Educacional

A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma das complicações mais temidas no pós-operatório, especialmente em cirurgias pélvicas e ortopédicas de grande porte, devido ao risco de evolução para Tromboembolismo Pulmonar (TEP). A tríade de Virchow (estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade) explica a alta incidência nesses cenários. O diagnóstico rápido é fundamental para iniciar a anticoagulação e evitar a propagação do trombo. O Doppler venoso de membros inferiores destaca-se como a ferramenta diagnóstica primária, permitindo identificar trombos oclusivos e não oclusivos com precisão, guiando a terapia imediata e reduzindo a morbimortalidade hospitalar.

Perguntas Frequentes

Por que o Doppler é preferido à venografia no diagnóstico de TVP?

Embora a venografia tenha sido historicamente o padrão-ouro, ela é um método invasivo, utiliza contraste iodado (risco de nefropatia e alergia) e pode, paradoxalmente, causar trombose pelo dano ao endotélio venoso. A ultrassonografia com Doppler tornou-se o método de escolha por ser não invasiva, de baixo custo, reprodutível e apresentar sensibilidade e especificidade superiores a 95% para TVP proximal, permitindo a visualização direta da ausência de compressibilidade da veia e a falha de enchimento ao fluxo.

Qual a utilidade do D-dímero na suspeita de TVP?

O D-dímero é um produto de degradação da fibrina com alto valor preditivo negativo. Isso significa que, se o resultado for normal, a probabilidade de TVP é baixíssima, permitindo excluir o diagnóstico em pacientes de baixo risco clínico. No entanto, sua especificidade é baixa; ele se eleva em diversas condições como câncer, inflamação, gravidez e, crucialmente, no pós-operatório. Portanto, em pacientes que acabaram de passar por cirurgia, o D-dímero não deve ser usado para diagnóstico, pois estará elevado pela própria cicatrização.

Quais os sinais clínicos clássicos de TVP?

Os sinais clássicos incluem dor na panturrilha ou coxa, edema unilateral (geralmente medido por diferença de diâmetro entre os membros), empastamento muscular, aumento da temperatura local e cianose ou eritema leve. O sinal de Homans (dor à dorsiflexão passiva do pé) é tradicionalmente ensinado, mas possui baixa sensibilidade e especificidade. Em pacientes cirúrgicos, a taquicardia persistente e inexplicada pode ser o primeiro sinal de um evento tromboembólico em curso.

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