Phlegmasia Cerulea Dolens: Diagnóstico e Manejo Urgente

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, de 42 anos, obeso mórbido, mas sem outras comorbidades, encontra-se no 10° pós-operatório de cirurgia bariátrica. Dá entrada no Pronto-Atendimento com dor, edema e cianose importantes em MIE, de início súbito, há cerca de 24 horas. Ao exame físico, apresenta empastamento importante de todo o membro inferior esquerdo e diminuição da amplitude dos pulsos distais, sendo que a palpação de pulsos dos outros membros é normal. Sobre o caso, é incorreto afirmar que:

Alternativas

  1. A) O exame complementar inicial deve ser a flebografia (padrão-ouro).
  2. B) O diagnóstico clínico inicial é de TVP extensa de MIE.
  3. C) A hipótese de Phlegmasia cerulea dolens deve ser considerada.
  4. D) O tratamento inicial é feito com heparinização sistêmica imediata.
  5. E) Pode evoluir com isquemia do membro se não for tratado adequadamente.

Pérola Clínica

TVP extensa com cianose e ↓ pulsos distais → Phlegmasia cerulea dolens. USG Doppler é o exame inicial.

Resumo-Chave

A Phlegmasia cerulea dolens é uma forma grave de trombose venosa profunda extensa, caracterizada por dor intensa, edema, cianose e, por vezes, diminuição dos pulsos distais devido à oclusão venosa maciça que compromete o fluxo arterial. O ultrassom Doppler é o exame de escolha para o diagnóstico inicial, não a flebografia.

Contexto Educacional

A Phlegmasia cerulea dolens é uma complicação rara, porém grave, da trombose venosa profunda (TVP) extensa, que envolve a oclusão de grandes veias do membro, incluindo a veia ilíaca e femoral. É mais comum em pacientes com câncer, estados de hipercoagulabilidade, trauma ou após cirurgias de grande porte, como a bariátrica, devido ao risco aumentado de tromboembolismo venoso. Sua importância clínica reside no alto risco de isquemia do membro e amputação se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve a oclusão venosa maciça, que leva a um aumento da pressão hidrostática capilar, extravasamento de fluido para o interstício e edema. A compressão arterial extrínseca pelo edema maciço e o espasmo arterial reflexo podem comprometer o fluxo arterial, resultando em isquemia do membro. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais de dor intensa, edema, cianose e, por vezes, diminuição dos pulsos distais. O ultrassom Doppler é o exame de primeira linha para confirmar a TVP e avaliar a extensão. O tratamento é uma emergência médica e visa restaurar o fluxo venoso e prevenir a isquemia. Inclui heparinização sistêmica imediata para evitar a progressão do trombo. Em muitos casos, são necessárias intervenções mais agressivas, como trombectomia cirúrgica, trombólise farmacológica ou trombectomia farmacomecânica, especialmente se houver sinais de isquemia iminente do membro. O prognóstico é reservado e depende da rapidez do diagnóstico e da eficácia do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da Phlegmasia cerulea dolens?

Caracteriza-se por dor intensa, edema maciço, cianose do membro afetado e, em casos avançados, pode haver diminuição ou ausência de pulsos distais e formação de bolhas, indicando isquemia.

Qual o exame de imagem inicial para suspeita de Phlegmasia cerulea dolens?

O ultrassom Doppler venoso é o exame de imagem inicial de escolha para confirmar o diagnóstico de trombose venosa profunda extensa.

Qual o tratamento inicial para Phlegmasia cerulea dolens?

O tratamento inicial envolve heparinização sistêmica imediata. Em casos graves, pode ser necessária trombectomia cirúrgica ou farmacomecânica para prevenir a perda do membro.

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