TVP na Gravidez: Profilaxia e Manejo Ideal

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher de 32 anos teve uma trombose venosa profunda (TVP) há três anos, após permanecer imobilizada por uma ruptura do tendão de Aquiles. Ela foi tratada com varfarina até seis semanas após a remoção do gesso da perna. Agora, está esperando seu primeiro filho, grávida na décima segunda semana. Ela levanta a questão sobre profilaxia de trombose e diz que um amigo médico recomendou heparina de baixo peso molecular. Nesse caso, qual seria a conduta?

Alternativas

  1. A) Profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) durante toda a gravidez.
  2. B) Profilaxia, a partir do parto e seis semanas após o parto.
  3. C) Profilaxia, no último trimestre da gestação e seis semanas após o parto.
  4. D) Profilaxia, durante a gravidez e durante o puerpério.

Pérola Clínica

TVP prévia + gravidez → profilaxia com HBPM durante toda a gestação e puerpério.

Resumo-Chave

Pacientes com histórico de TVP prévia, mesmo que provocada, têm risco aumentado de tromboembolismo venoso (TEV) na gravidez e puerpério. A profilaxia com heparina de baixo peso molecular (HBPM) é indicada durante toda a gestação e estendida por 6 semanas no puerpério devido ao risco persistente.

Contexto Educacional

A gravidez é um estado de hipercoagulabilidade fisiológica, o que aumenta significativamente o risco de tromboembolismo venoso (TEV), incluindo trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP). Mulheres com histórico prévio de TVP, mesmo que provocada por um fator de risco transitório (como imobilização), apresentam um risco ainda maior de recorrência durante a gestação e o puerpério. A profilaxia antitrombótica é crucial nesses casos. As diretrizes atuais recomendam o uso de heparina de baixo peso molecular (HBPM) para gestantes com histórico de TVP. A HBPM é a escolha preferencial por não atravessar a barreira placentária, sendo segura para o feto, e por ter um perfil de segurança materno superior ao da varfarina, que é teratogênica no primeiro trimestre e pode causar embriopatia. A profilaxia deve ser iniciada assim que a gravidez é confirmada e mantida durante toda a gestação. É igualmente importante estender a profilaxia para o período pós-parto (puerpério) por pelo menos 6 semanas, pois o risco de TEV permanece elevado nesse período devido às alterações hormonais, trauma do parto e imobilização. A decisão sobre a dose (profilática ou intermediária) deve ser individualizada com base no risco da paciente.

Perguntas Frequentes

Qual o risco de trombose venosa profunda durante a gravidez?

A gravidez é um estado de hipercoagulabilidade, aumentando o risco de TVP em 5 a 10 vezes em comparação com mulheres não grávidas, devido a alterações hormonais, estase venosa e compressão uterina.

Por que a heparina de baixo peso molecular é preferida na gravidez?

A HBPM não atravessa a barreira placentária, sendo segura para o feto, e tem menor risco de osteoporose e trombocitopenia induzida por heparina (TIH) em comparação com a heparina não fracionada.

Por quanto tempo a profilaxia deve ser mantida no puerpério?

A profilaxia com HBPM deve ser mantida por pelo menos 6 semanas no puerpério, pois o risco de tromboembolismo venoso permanece elevado nesse período devido às alterações fisiológicas pós-parto.

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