TVP Pós-Operatória: Diagnóstico e Manejo Urgente

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente feminina, 42 anos, apresenta dor aguda em face posterior da coxa direita, súbita, associada a edema local. Nega dispneia, dor torácica ou outros sintomas. Nega trauma. É hipertensa e diabética, e encontra-se no sexto dia pós-operatório de dermolipectomia com abdominoplastia. Ao exame físico: estável, corada, hidratada, eupneica. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome inocente. Dor à palpação da face posterior da coxa direita associada a edema local e hipomotilidade da musculatura posterior. Tem pulsos femorais, poplíteos e tibiais presentes. O próximo passo para elucidação diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) US doppler do membro inferior.
  2. B) Eletrocardiograma.
  3. C) Arteriografia aorto-ilíaco-femoral.
  4. D) Angiotomografia de tórax.

Pérola Clínica

Pós-op + dor/edema unilateral em MMII → suspeita TVP → US Doppler de urgência.

Resumo-Chave

Em pacientes no pós-operatório de cirurgias de grande porte, com fatores de risco para trombose, a presença de dor aguda e edema unilateral em membro inferior é altamente sugestiva de Trombose Venosa Profunda (TVP). O ultrassom Doppler do membro inferior é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma condição grave caracterizada pela formação de um coágulo sanguíneo em uma veia profunda, mais comumente nos membros inferiores. É uma complicação frequente em pacientes hospitalizados, especialmente aqueles submetidos a cirurgias de grande porte, devido à tríade de Virchow: estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. A TVP é de grande importância clínica devido ao risco de embolia pulmonar (TEP), uma complicação potencialmente fatal. A suspeita clínica de TVP surge em pacientes com dor aguda, edema e calor unilateral em um membro inferior, especialmente na presença de fatores de risco como cirurgia recente, imobilização, câncer ou trombofilias. Embora a paciente negue sintomas pulmonares, a TVP é a principal causa de TEP, e seu diagnóstico precoce é crucial. A escala de Wells pode auxiliar na estratificação do risco, mas não substitui a investigação diagnóstica. O diagnóstico definitivo da TVP é realizado por meio do ultrassom Doppler do membro inferior, que permite visualizar o trombo e avaliar a compressibilidade das veias. Uma vez diagnosticada, a TVP requer tratamento imediato com anticoagulação para prevenir a progressão do trombo, reduzir o risco de TEP e minimizar a síndrome pós-trombótica. A arteriografia e a angiotomografia de tórax não são exames de primeira linha para a suspeita de TVP isolada de membro inferior.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Trombose Venosa Profunda (TVP)?

Os principais fatores de risco incluem cirurgias de grande porte (especialmente ortopédicas e abdominais), imobilização prolongada, câncer, trombofilias, uso de contraceptivos orais, gravidez e puerpério, obesidade, idade avançada e doenças cardiovasculares.

Quais são os sinais e sintomas mais comuns da TVP de membro inferior?

Os sinais e sintomas mais comuns são dor unilateral na panturrilha ou coxa, edema, calor e eritema no membro afetado. O sinal de Homans (dor à dorsiflexão do pé) é clássico, mas inespecífico.

Por que o ultrassom Doppler é o exame de escolha para TVP?

O ultrassom Doppler é o exame de escolha por ser não invasivo, amplamente disponível, rápido e com alta sensibilidade e especificidade para detectar trombos venosos. Ele permite visualizar diretamente o trombo e avaliar o fluxo sanguíneo.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo