Anticoncepção e Trombose Venosa Profunda: Escolhas Seguras

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020

Enunciado

Mulher com 26 anos, nunca engravidou, tem antecedente de trombose venosa profunda em membro inferior direito há 3 anos, e no momento não está em uso de medicação anticoagulante. Refere que vai iniciar atividade sexual com seu noivo e deseja realizar anticoncepção. Nesta situação, está contraindicado(a):

Alternativas

  1. A) Dispositivo intrauterino.
  2. B) Anticoncepcional hormonal combinado oral.
  3. C) Progestogênios contínuos por via oral.
  4. D) Anticoncepcional injetável trimestral a base de progestogênio.

Pérola Clínica

TVP prévia = Contraindicação absoluta para Anticoncepcionais Hormonais Combinados (AHC).

Resumo-Chave

Pacientes com histórico de trombose venosa profunda (TVP) têm um risco significativamente aumentado de eventos tromboembólicos. Os anticoncepcionais hormonais combinados (AHC), que contêm estrogênio, aumentam ainda mais esse risco e, portanto, são absolutamente contraindicados nessas pacientes. Métodos que contêm apenas progestagênio ou métodos não hormonais são opções seguras.

Contexto Educacional

A escolha do método contraceptivo para mulheres com histórico de trombose venosa profunda (TVP) é uma decisão crítica que visa evitar a recorrência de eventos tromboembólicos. A presença de um antecedente de TVP, mesmo que há alguns anos e sem uso atual de anticoagulantes, eleva o risco basal de trombose da paciente. Os anticoncepcionais hormonais combinados (AHC), que contêm estrogênio e progestagênio, são absolutamente contraindicados (Categoria 4 da OMS) para mulheres com histórico de TVP ou embolia pulmonar. O estrogênio é o principal componente responsável pelo aumento do risco de trombose, pois afeta o sistema de coagulação, aumentando a síntese de fatores pró-coagulantes e diminuindo a de anticoagulantes naturais. Em contraste, os métodos contraceptivos que contêm apenas progestagênio (como a minipílula, o injetável trimestral de medroxiprogesterona, o implante subdérmico de etonogestrel e o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel - SIU-LNG) não demonstraram aumentar o risco de trombose e são considerados seguros para essas pacientes. O dispositivo intrauterino (DIU) de cobre, por ser um método não hormonal, também é uma excelente opção. É fundamental que o médico oriente a paciente sobre as opções seguras e os riscos associados a cada método, garantindo uma escolha informada e protegida.

Perguntas Frequentes

Por que anticoncepcionais hormonais combinados são contraindicados em mulheres com histórico de trombose venosa profunda?

Anticoncepcionais hormonais combinados (AHC) contêm estrogênio, que aumenta a produção de fatores de coagulação e diminui os fatores anticoagulantes naturais, elevando significativamente o risco de eventos tromboembólicos. Em mulheres com histórico de TVP, esse risco é inaceitavelmente alto.

Quais métodos contraceptivos são seguros para mulheres com antecedente de trombose venosa profunda?

Para mulheres com histórico de TVP, os métodos contraceptivos seguros incluem aqueles que contêm apenas progestagênio (como minipílula, injetável trimestral, implante e DIU hormonal) e métodos não hormonais (como DIU de cobre, preservativos e métodos de barreira). Esses métodos não aumentam o risco de trombose.

O uso de progestagênios contínuos aumenta o risco de trombose?

Não, os métodos contraceptivos que contêm apenas progestagênio (progestagênios contínuos) não demonstraram aumentar o risco de trombose venosa profunda ou outros eventos tromboembólicos, sendo considerados seguros para mulheres com histórico de TVP ou trombofilia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo