TVP em Câncer: Diagnóstico e Tratamento Adequado

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 60 anos, com história de câncer de mama, submetida à mastectomia há 3 semanas e em início tratamento quimioterápico complementar. Na consulta ambulatorial, observou-se edema súbito em perna direita, associado à dor local. Qual a conduta mais adequada, considerando o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Prescrever heparina de baixo peso molecular em dose terapêutica.
  2. B) Implante de filtro de veia cava inferior.
  3. C) Indicar uso de meia elástica e dose profilática de anticoagulante.
  4. D) Internação para uso de heparina não fracionada subcutânea.

Pérola Clínica

Paciente oncológica com edema súbito e dor em perna → TVP provável → heparina de baixo peso molecular em dose terapêutica.

Resumo-Chave

Pacientes oncológicos, especialmente no pós-operatório e durante quimioterapia, têm alto risco de trombose venosa profunda (TVP) devido ao estado de hipercoagulabilidade. O tratamento inicial para TVP confirmada é a anticoagulação plena, sendo a heparina de baixo peso molecular (HBPM) a escolha preferencial para pacientes com câncer.

Contexto Educacional

A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma complicação grave e frequente em pacientes oncológicos, sendo a segunda causa de morte nesses pacientes, superada apenas pela própria progressão do câncer. O câncer, por si só, induz um estado de hipercoagulabilidade, e os tratamentos como quimioterapia e cirurgia aumentam ainda mais esse risco, tornando essencial o reconhecimento e manejo rápido da TVP. O quadro clínico de TVP geralmente se manifesta com edema súbito, dor e calor na extremidade afetada. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes com fatores de risco, como a paciente do caso (câncer de mama, pós-mastectomia e em quimioterapia). O diagnóstico é confirmado por ultrassom Doppler venoso, e o tratamento deve ser iniciado prontamente para prevenir a embolia pulmonar, uma complicação potencialmente fatal. A conduta mais adequada para TVP em pacientes oncológicos é a anticoagulação plena. A heparina de baixo peso molecular (HBPM) em dose terapêutica é a escolha preferencial devido à sua eficácia superior e perfil de segurança em comparação com a heparina não fracionada e os antagonistas da vitamina K. O implante de filtro de veia cava inferior é reservado para pacientes com contraindicação à anticoagulação ou falha terapêutica. A profilaxia é importante, mas uma vez estabelecida a TVP, o tratamento é terapêutico.

Perguntas Frequentes

Qual o risco de Trombose Venosa Profunda (TVP) em pacientes com câncer?

Pacientes com câncer apresentam um risco significativamente aumentado de TVP, devido ao estado de hipercoagulabilidade induzido pela própria doença, tratamentos como quimioterapia e cirurgia, e imobilização. O risco é ainda maior em câncer de mama, pâncreas, pulmão e ovário.

Por que a heparina de baixo peso molecular (HBPM) é preferida no tratamento da TVP em pacientes oncológicos?

A HBPM é preferida devido à sua eficácia superior e menor risco de sangramento em comparação com a heparina não fracionada, além de ser mais conveniente para uso ambulatorial. Estudos demonstraram que a HBPM é mais eficaz na prevenção de recorrência de TVP e embolia pulmonar em pacientes com câncer.

Quais são os sinais e sintomas de TVP e como é feito o diagnóstico?

Os sinais e sintomas de TVP incluem edema súbito, dor, calor e eritema na perna afetada. O diagnóstico é feito clinicamente, com auxílio do escore de Wells, e confirmado por exames de imagem, como o ultrassom Doppler venoso, que visualiza o trombo e a compressibilidade da veia.

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