AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024
A trombose venosa profunda aguda é uma grande causa de morbidade e mortalidade nos pacientes hospitalizados, particularmente nos pacientes cirúrgicos. Em relação a este tema, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas: I. O diagnóstico de trombose venosa profunda requer alto índice de suspeita e o sinal de Homans, que se refere a dor na panturrilha quando se faz a dorsiflexão do pé, é um dos sinais patognomônicos... PORTANTO II. A ausência deste sinal ao exame físico descarta a hipótese diagnóstica de trombose venosa profunda e indica para continuidade de outras causas.
Sinal de Homans (dor na dorsiflexão) tem baixa sensibilidade/especificidade; ausência não exclui TVP.
O diagnóstico de TVP exige alta suspeição clínica e uso de escores de probabilidade, pois sinais físicos isolados como o de Homans são pouco acurados e sua ausência não descarta a doença.
A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma condição crítica no ambiente hospitalar, sendo a principal causa evitável de morte em pacientes cirúrgicos. A semiologia clássica, incluindo o sinal de Homans, Bancroft e Moses, possui limitações diagnósticas severas documentadas na literatura médica contemporânea. O manejo atual preconiza o uso do Escore de Wells para estratificar o risco em baixo, intermediário ou alto. Pacientes com baixa probabilidade podem ser triados com D-dímero (alto valor preditivo negativo), enquanto aqueles com alta probabilidade devem seguir diretamente para o Ultrassom Doppler. O erro em confiar apenas no exame físico pode levar ao subdiagnóstico de uma condição com alto potencial de embolia pulmonar (TEP) e síndrome pós-trombótica.
O sinal de Homans é caracterizado pela dor na panturrilha ou no oco poplíteo durante a dorsiflexão passiva do pé com o joelho levemente flexionado. Embora historicamente associado à Trombose Venosa Profunda (TVP), sua sensibilidade e especificidade são muito baixas (em torno de 10-50%). Portanto, ele serve como um alerta clínico que aumenta a suspeição, mas não possui valor diagnóstico definitivo nem exclui a doença se estiver ausente.
A TVP pode ocorrer em veias profundas sem causar inflamação suficiente para gerar dor à manobra de dorsiflexão. Além disso, muitos trombos são não-oclusivos ou localizados em segmentos que não tensionam a musculatura da mesma forma. O diagnóstico moderno de TVP baseia-se na probabilidade pré-teste (Escore de Wells) associada a exames de imagem como o Ultrassom Doppler vascular, nunca apenas no exame físico isolado.
O edema unilateral de membro inferior (especialmente se houver >3cm de diferença de circunferência entre as panturrilhas), o empastamento muscular (edema de tecidos moles) e a dor à palpação do trajeto venoso profundo são sinais com maior correlação clínica. No entanto, nenhum sinal físico isolado é patognomônico, exigindo sempre a integração com a história clínica e fatores de risco (Tríade de Virchow: estase, lesão endotelial e hipercoagulabilidade).
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