Trombose Venosa Profunda em Pacientes com Neoplasia: Síndrome Paraneoplásica

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015

Enunciado

M.D.F., 38 anos, sexo feminino, estava em tratamento de metrorragia, com reposição hormonal. Posteriormente constatou tratar-se de neoplasia malígna de endométrio. Nesta ocasião, apresentou dor e edema importante em membro inferior direito. Dorsoflexão do pé dolorosa. Em relação ao caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A presença da neoplasia pode ter reduzido a fibrinólise, mas certamente não alterou a função plaquetária.
  2. B) A terapia hormonal pode determinar alterações na viscosidade sanguínea, mas não na parede vascular, sendo improvável que possa favorecer quadros deste tipo.
  3. C) É pouco provável que a compressão uterina sobre veia cava possa ser um fator determinante destes quadros.
  4. D) Este quadro pode ser decorrente de síndrome paraneoplásica.

Pérola Clínica

Neoplasia maligna + TVP = Suspeitar de síndrome paraneoplásica (Síndrome de Trousseau).

Resumo-Chave

Pacientes com neoplasias malignas, como o câncer de endométrio, possuem um risco aumentado de eventos tromboembólicos, incluindo trombose venosa profunda (TVP), devido a um estado de hipercoagulabilidade. Este fenômeno é conhecido como síndrome paraneoplásica (Síndrome de Trousseau) e deve ser considerado em quadros de dor e edema em membros inferiores.

Contexto Educacional

A trombose venosa profunda (TVP) é uma condição grave caracterizada pela formação de um coágulo sanguíneo em uma veia profunda, mais comumente nos membros inferiores. Em pacientes com neoplasias malignas, a ocorrência de TVP é significativamente mais elevada, sendo um importante fator de morbimortalidade. Este cenário, frequentemente, enquadra-se na definição de síndrome paraneoplásica, um tópico de grande relevância para a prática clínica e para a formação de residentes. A fisiopatologia da hipercoagulabilidade associada ao câncer é multifatorial. As células tumorais podem secretar substâncias pró-coagulantes, como o fator tecidual, que ativam a cascata de coagulação. Além disso, a inflamação sistêmica induzida pelo câncer, a estase sanguínea devido à compressão vascular por massas tumorais ou imobilização, e os efeitos de certas terapias antineoplásicas contribuem para esse estado protrombótico. O sinal de Homans, embora inespecífico, pode levantar a suspeita clínica de TVP, que deve ser confirmada por exames de imagem como o ultrassom Doppler. O tratamento da TVP em pacientes oncológicos envolve anticoagulação, mas o manejo é complexo devido ao risco aumentado de sangramento. A prevenção primária da TVP é crucial em pacientes com câncer de alto risco. A Síndrome de Trousseau, caracterizada por tromboflebite migratória ou TVP recorrente, é um marcador clínico importante que pode indicar a presença de uma neoplasia oculta ou a progressão de uma doença conhecida. O reconhecimento precoce dessa associação permite um manejo mais eficaz e a investigação da doença de base.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de trombose venosa profunda (TVP)?

Os sinais e sintomas clássicos de TVP incluem dor, edema e calor no membro afetado, geralmente unilateral. Pode haver empastamento da panturrilha e dor à dorsiflexão do pé (sinal de Homans), embora este último seja inespecífico.

O que é a Síndrome de Trousseau e como ela se relaciona com o câncer?

A Síndrome de Trousseau é uma síndrome paraneoplásica caracterizada por tromboflebite migratória ou TVP recorrente em pacientes com câncer, especialmente adenocarcinomas. Ela reflete um estado de hipercoagulabilidade induzido pela malignidade, onde as células tumorais liberam substâncias protrombóticas.

Como a neoplasia maligna aumenta o risco de trombose?

A neoplasia maligna aumenta o risco de trombose por diversos mecanismos, incluindo a liberação de fatores pró-coagulantes pelas células tumorais (como o fator tecidual), ativação plaquetária, estase sanguínea devido à compressão vascular por massas tumorais, e efeitos inflamatórios sistêmicos que alteram a hemostasia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo