TVP em Pacientes Internados: Diagnóstico e Tratamento

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 65 anos de idade, internado há 15 dias devido a apendicite aguda complicada, com necessidade de tratamento cirúrgico de urgência. Permaneceu na UTI por cerca de 7 dias no pós-operatório e está no momento em tratamento para pneumonia hospitalar. Durante visita da equipe médica, queixou-se de edema no membro inferior direito e dor na panturrilha. Ao exame físico, o membro inferior esquerdo não tinha alterações, e o direito apresentava edema 2+/4+, empastamento e dor à palpação local. Assinale a alternativa correta em relação ao caso descrito:

Alternativas

  1. A) Iniciar furosemida por via endovenosa e solicitar ecocardiografia transtorácica para melhor planejamento da compensação clínica.
  2. B) O tratamento pode ser feito com heparina não fracionada via endovenosa, ou heparina de baixo peso molecular via subcutânea.
  3. C) Solicitar exame de d-dímero pela sua alta especificidade. Se em valor elevado, iniciar heparina de baixo peso molecular.
  4. D) Trata-se de trombose arterial aguda, complicação frequente devido ao posicionamento inadequado do paciente.

Pérola Clínica

TVP em paciente internado → suspeita clínica + fatores de risco → anticoagulação com HNF ou HBPM.

Resumo-Chave

O paciente apresenta múltiplos fatores de risco para TVP (idade avançada, cirurgia recente, imobilização prolongada na UTI, infecção grave) e sinais clínicos clássicos. A conduta inicial é a anticoagulação plena, que pode ser feita com heparina não fracionada ou heparina de baixo peso molecular.

Contexto Educacional

A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma condição grave caracterizada pela formação de um trombo em uma veia profunda, mais comumente nos membros inferiores. É uma complicação frequente em pacientes hospitalizados, especialmente aqueles submetidos a cirurgias, com imobilização prolongada, infecções graves ou câncer, representando um risco significativo de embolia pulmonar. A fisiopatologia da TVP envolve a tríade de Virchow: estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na suspeita por fatores de risco e sinais como edema unilateral, dor e empastamento. A ultrassonografia Doppler é o exame de imagem padrão-ouro para confirmação. O d-dímero é útil para excluir TVP em pacientes de baixa probabilidade, mas sua especificidade é baixa em pacientes hospitalizados com inflamação. O tratamento da TVP consiste na anticoagulação plena para prevenir a progressão do trombo e a embolia pulmonar. As opções incluem heparina não fracionada (HNF) por via endovenosa ou heparina de baixo peso molecular (HBPM) por via subcutânea, seguidas por anticoagulantes orais. A escolha entre HNF e HBPM depende de fatores como função renal, risco de sangramento e necessidade de reversão rápida. A profilaxia é crucial em pacientes de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais os principais fatores de risco para Trombose Venosa Profunda em pacientes hospitalizados?

Os principais fatores incluem cirurgia recente, imobilização prolongada, idade avançada, infecções graves, câncer, insuficiência cardíaca e uso de cateteres venosos centrais.

Quais são os sinais e sintomas clássicos da TVP no membro inferior?

Os sinais e sintomas incluem edema unilateral, dor na panturrilha, empastamento muscular, aumento da temperatura local e, em alguns casos, cianose ou dilatação de veias superficiais.

Qual a diferença entre heparina não fracionada e heparina de baixo peso molecular no tratamento da TVP?

Ambas são eficazes, mas a heparina de baixo peso molecular (HBPM) tem maior biodisponibilidade, meia-vida mais longa e menor necessidade de monitorização laboratorial, sendo preferida na maioria dos casos. A heparina não fracionada (HNF) é usada em pacientes com disfunção renal grave ou alto risco de sangramento.

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