HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2023
Paciente feminina, 48 anos, tabagista, hipertensa e diabética, em uso regular de enalapril e metformina, submeteu-se à abdominoplastia estética e torsoplastia. No terceiro dia pós-operatório apresentou quadro de dor em membro inferior direito, aguda, intensa, associada a edema local. Nega trauma. Ao exame: edema de membro inferior direito, pulso tibial anterior presente, tibial posterior de difícil avaliação devido ao edema, com dor em panturrilha à dorsiflexão plantar. Perfusão e temperatura dos membros normais. O exame ecográfico da região identificou material hiperecoico em veia poplítea direita e demonstração da compressibilidade anormal da veia com comprometimento do fluxo venoso. A principal hipótese diagnóstica é:
Dor aguda + edema unilateral em membro inferior pós-cirurgia + fatores de risco = alta suspeita de TVP.
A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma complicação comum em pacientes pós-operatórios, especialmente com múltiplos fatores de risco (tabagismo, hipertensão, diabetes, cirurgia plástica prolongada), manifestando-se com dor e edema unilateral de membro inferior.
A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma condição grave caracterizada pela formação de um coágulo sanguíneo (trombo) em uma ou mais veias profundas, geralmente nas pernas. É uma das manifestações do tromboembolismo venoso (TEV), que inclui também a embolia pulmonar (EP), uma complicação potencialmente fatal. A TVP é particularmente relevante no contexto pós-operatório, onde a imobilização, o trauma cirúrgico e a resposta inflamatória aumentam o risco de trombose. Os fatores de risco para TVP são classicamente descritos pela Tríade de Virchow: estase sanguínea (imobilização, cirurgia prolongada), lesão endotelial (trauma, cirurgia) e hipercoagulabilidade (câncer, trombofilias, tabagismo, uso de estrogênios). No caso apresentado, a paciente possui múltiplos fatores de risco, incluindo tabagismo, hipertensão, diabetes e, principalmente, o fato de ter sido submetida a cirurgias estéticas de grande porte (abdominoplastia e torsoplastia), que aumentam significativamente o risco trombogênico. Clinicamente, a TVP manifesta-se com dor aguda, edema unilateral, calor e eritema no membro afetado. O sinal de Homans (dor na panturrilha à dorsiflexão do pé) é clássico, mas inespecífico. O diagnóstico é confirmado pela ecografia vascular com Doppler, que demonstra a presença do trombo e a incompressibilidade da veia afetada. O tratamento envolve anticoagulação para prevenir a progressão do trombo e a ocorrência de embolia pulmonar, além de medidas de suporte como elevação do membro e compressão elástica.
Os fatores de risco para TVP incluem cirurgia recente (especialmente ortopédica ou abdominal/pélvica), imobilização prolongada, idade avançada, obesidade, tabagismo, uso de contraceptivos orais, gravidez, câncer, trombofilias e doenças inflamatórias.
A ecografia vascular com Doppler (ultrassonografia duplex) é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de TVP. Ela permite visualizar o trombo, avaliar a compressibilidade da veia e o fluxo sanguíneo, confirmando a presença de trombose.
A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para TVP: é tabagista, hipertensa, diabética e, crucialmente, submeteu-se a cirurgias de grande porte (abdominoplastia e torsoplastia), que implicam imobilização e trauma tecidual, aumentando o risco trombogênico.
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