PMSO - Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP) — Prova 2020
Paciente sexo feminino, 41 anos, tabagista. Evoluiu com edema no tornozelo direito e dor na panturrilha direita no primeiro pós-operatório de colecistectomia. Qual sequência melhor representa o diagnóstico - fator de risco - exame - tratamento?
Edema + dor unilateral em panturrilha pós-op → TVP → USG Doppler → anticoagulação.
O quadro clínico de edema e dor unilateral na panturrilha no pós-operatório é altamente sugestivo de trombose venosa profunda (TVP). O pós-operatório de cirurgias abdominais, como a colecistectomia, é um importante fator de risco para TVP, assim como o tabagismo. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia com Doppler e o tratamento inicial é a anticoagulação.
A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma condição grave caracterizada pela formação de um coágulo sanguíneo em uma veia profunda, mais comumente nas pernas. É uma complicação frequente e potencialmente fatal, especialmente no período pós-operatório, devido à tríade de Virchow (estase sanguínea, lesão endotelial e hipercoagulabilidade). A colecistectomia, sendo uma cirurgia abdominal, confere um risco aumentado para TVP, assim como outros fatores como tabagismo e sexo feminino. O diagnóstico de TVP é suspeitado clinicamente por sinais como edema unilateral, dor, calor e eritema na panturrilha ou coxa. No entanto, o exame físico pode ser inespecífico, e a confirmação diagnóstica é essencial. A ultrassonografia com Doppler é o método de escolha, permitindo visualizar o trombo e avaliar o fluxo sanguíneo. O D-dímero pode ser útil para excluir TVP em pacientes de baixo risco, mas não para confirmá-la. O tratamento da TVP visa prevenir a embolia pulmonar (EP), a complicação mais temida, e a síndrome pós-trombótica. A anticoagulação é a pedra angular do tratamento, geralmente iniciada com heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada, seguida por anticoagulantes orais. A duração da anticoagulação varia conforme os fatores de risco e a recorrência, sendo um ponto crítico na gestão do paciente.
Os principais fatores de risco para TVP no pós-operatório incluem imobilização prolongada, cirurgias de grande porte (especialmente abdominais e ortopédicas), idade avançada, obesidade, tabagismo, uso de contraceptivos orais, história prévia de TVP e trombofilias.
O diagnóstico de TVP é primariamente clínico, baseado nos sinais e sintomas (escore de Wells), e confirmado por exames de imagem. A ultrassonografia com Doppler é o método de escolha, por ser não invasivo e altamente sensível e específico para veias proximais.
O tratamento inicial para TVP é a anticoagulação, geralmente com heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada (HNF), seguida por anticoagulantes orais diretos (DOACs) ou antagonistas da vitamina K por um período mínimo de 3 a 6 meses, dependendo do risco de recorrência.
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