UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020
Paciente com neoplasia de colo de útero, em tratamento com radioquimioterapia, apresentando sangramento vaginal, evoluiu com dor e edema no membro inferior direito. Qual a sua hipótese diagnóstica?
Neoplasia + Edema unilateral de MMII → Suspeitar imediatamente de Trombose Venosa Profunda (TVP).
Pacientes oncológicos apresentam um estado de hipercoagulabilidade sistêmica devido à liberação de substâncias pró-coagulantes pelo tumor e estase venosa.
A associação entre câncer e trombose (Síndrome de Trousseau) é bem estabelecida na literatura médica. Neoplasias de colo de útero, especificamente, podem causar obstrução venosa direta por invasão linfonodal ou compressão tumoral, além do estado inflamatório sistêmico. O tratamento com radioquimioterapia pode exacerbar a lesão endotelial, fechando os três pilares da Tríade de Virchow. Clinicamente, o edema unilateral é o sinal mais fidedigno, devendo ser diferenciado do linfedema (comum pós-radioterapia) e do edema bilateral por hipoalbuminemia. A escala de Wells pode ser utilizada, mas em pacientes oncológicos, a probabilidade pré-teste já é inerentemente alta, justificando a investigação por imagem imediata.
O câncer aumenta o risco de TVP através da Tríade de Virchow: hipercoagulabilidade (produção de citocinas inflamatórias e fatores pró-coagulantes como o fator tecidual), estase venosa (compressão extrínseca por massas tumorais ou imobilidade) e lesão endotelial (invasão tumoral direta ou efeitos da quimioterapia e radioterapia). Pacientes com neoplasias pélvicas, como o câncer de colo de útero, têm risco adicional pela proximidade das massas com as veias ilíacas.
O exame de escolha inicial é a Ultrassonografia com Doppler venoso de membros inferiores. É um método não invasivo com alta sensibilidade e especificidade para trombos proximais. Em pacientes oncológicos, o limiar para solicitação deste exame deve ser baixo diante de qualquer edema unilateral, dor ou empastamento de panturrilha, dado o alto risco basal de eventos tromboembólicos nesta população.
O tratamento padrão-ouro tradicionalmente envolve o uso de Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) em doses terapêuticas, que se mostrou superior aos antagonistas da vitamina K (varfarina) na prevenção de recorrência em pacientes oncológicos. Atualmente, os anticoagulantes orais diretos (DOACs), como rivaroxabana e edoxabana, também são opções validadas, exceto em casos de alto risco de sangramento gastrointestinal ou geniturinário.
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