UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
A trombose venosa mesentérica ocorre em estados de coagulopatia e NÃO está associada ao(à):
TVM → Associada a estados pró-trombóticos (SAF, Câncer, Cirrose); Crohn é causa menos direta.
A trombose venosa mesentérica (TVM) resulta de estados de hipercoagulabilidade sistêmica ou local; a Doença de Crohn é uma associação menos típica comparada a neoplasias e cirrose.
A trombose venosa mesentérica (TVM) representa cerca de 5 a 15% de todos os casos de isquemia mesentérica. Diferente da etiologia arterial (geralmente embólica ou aterosclerótica), a TVM tem um início mais insidioso e está fortemente ligada a distúrbios da coagulação (trombofilias hereditárias ou adquiridas) e fatores locais que alteram o fluxo venoso. O quadro clínico costuma apresentar dor abdominal desproporcional ao exame físico, náuseas e vômitos. O diagnóstico é preferencialmente realizado por Angio-TC de abdome, que mostra falhas de enchimento venoso e edema de alças. O tratamento baseia-se na anticoagulação plena imediata para prevenir a progressão do trombo e a necessidade de ressecção intestinal por necrose.
Na cirrose hepática, ocorre uma alteração no fluxo sanguíneo portal (estase) devido à hipertensão portal. Além disso, há um desequilíbrio entre fatores pró-coagulantes e anticoagulantes sintetizados pelo fígado. Essa combinação de estase venosa e um estado de hipercoagulabilidade 'rebalanceado', porém propenso a trombose, predispõe à formação de trombos no sistema porta e veias mesentéricas.
O câncer de pâncreas é altamente trombogênico, frequentemente associado à Síndrome de Trousseau (tromboflebite migratória). As células tumorais liberam micropartículas ricas em fator tecidual e mucinas que ativam diretamente a cascata de coagulação. A compressão extrínseca da veia esplênica ou mesentérica pelo tumor também contribui para a estase e formação de trombos locais.
A SAF é uma trombofilia autoimune caracterizada pela presença de anticorpos (anticardiolipina, anti-beta2-glicoproteína I ou anticoagulante lúpico) que induzem um estado de hipercoagulabilidade persistente. Ela pode causar tromboses em qualquer leito vascular, sendo a trombose venosa mesentérica uma manifestação abdominal grave que pode levar ao infarto intestinal se não tratada precocemente com anticoagulação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo