Trombose Venosa Mesentérica: Diagnóstico e Conduta Inicial

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma mulher de 36 anos, usuária de anticoncepcional oral combinado há cinco anos, procura a unidade de emergência com queixa de dor abdominal difusa e persistente iniciada há quatro dias. A dor é descrita como uma cólica contínua que piorou gradualmente, associada a náuseas e dois episódios de vômitos biliosos. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, lúcida e orientada, com frequência cardíaca de 96 bpm e pressão arterial de 118 x 76 mmHg. O abdome apresenta-se discretamente distendido, doloroso à palpação profunda de forma difusa, porém com ruídos hidroaéreos presentes e sem sinais de irritação peritoneal (sinal de Blumberg negativo). Analise a imagem de tomografia computadorizada de abdome com contraste realizada na admissão e assinale a conduta inicial mais adequada:

Alternativas

  1. A) Trombólise farmacológica in situ por radiologia intervencionista.
  2. B) Laparotomia exploradora para ressecção de alças.
  3. C) Angiografia mesentérica seletiva com infusão de papaverina.
  4. D) Anticoagulação plena com heparina sistêmica.

Pérola Clínica

Dor abdominal subaguda + Fatores de risco (ACO) + TC compatível = Trombose Venosa Mesentérica.

Resumo-Chave

A trombose venosa mesentérica apresenta-se com dor desproporcional ao exame físico; o tratamento inicial em pacientes estáveis sem sinais de peritonite é a anticoagulação sistêmica.

Contexto Educacional

A Trombose Venosa Mesentérica (TVM) é uma forma menos comum de isquemia mesentérica (cerca de 10% dos casos), frequentemente associada a estados de hipercoagulabilidade. Ao contrário da isquemia arterial aguda, que é súbita e catastrófica, a TVM costuma ter um curso mais insidioso, com dor abdominal que piora ao longo de dias. O diagnóstico padrão-ouro é a Tomografia Computadorizada de abdome com contraste venoso, que demonstra falhas de enchimento na veia mesentérica superior ou veia porta, além de espessamento de parede de alças. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica e anticoagulação imediata, que reduz significativamente a mortalidade e a necessidade de ressecções intestinais extensas.

Perguntas Frequentes

Qual o principal fator de risco para TVM em mulheres jovens?

O uso de anticoncepcionais orais combinados é um fator de risco clássico, pois induz um estado de hipercoagulabilidade. Outros fatores incluem trombofilias hereditárias (Fator V de Leiden), neoplasias, cirurgias abdominais recentes e processos inflamatórios intra-abdominais como pancreatite ou diverticulite.

Quando indicar cirurgia na Trombose Venosa Mesentérica?

A intervenção cirúrgica (laparotomia) está reservada para casos com sinais de irritação peritoneal (peritonite), suspeita de infarto transmural de alça intestinal, perfuração ou quando há deterioração clínica apesar do tratamento clínico inicial. Na ausência desses sinais, o manejo é preferencialmente conservador.

Qual a droga de escolha para o tratamento inicial?

A anticoagulação plena com heparina sistêmica (preferencialmente Heparina Não Fracionada em infusão contínua ou Heparina de Baixo Peso Molecular) é o tratamento de escolha. Ela impede a progressão do trombo e permite a recanalização venosa, prevenindo a evolução para isquemia irreversível.

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