Dor Abdominal e Trombose Mesentérica: Conduta Essencial

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 35 anos de idade, procura pronto-socorro por dor abdominal difusa há cinco dias. Nega febre, alterações urinárias e intestinais. Tem antecedente de tabagismo, obesidade e síndrome dos ovários policísticos. Faz uso de contraceptivo oral combinado. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, normocorada, IMC 34kg/m² com abdome globoso, flácido, doloroso à palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais estão normais. Realizou TC de abdome disponível a seguir: Qual é a conduta para esta paciente?

Alternativas

  1. A) Endoscopia digestiva alta
  2. B) Laparoscopia diagnóstica
  3. C) Analgesia e seguimento ambulatorial
  4. D) Anticoagulação plena
  5. E) Colonoscopia

Pérola Clínica

Mulher jovem com dor abdominal difusa + fatores de risco para trombose (COC, tabagismo, obesidade, SOP) → suspeitar trombose mesentérica → anticoagulação plena.

Resumo-Chave

A combinação de dor abdominal difusa, ausência de sinais de irritação peritoneal e múltiplos fatores de risco para trombose (uso de contraceptivo oral combinado, tabagismo, obesidade, síndrome dos ovários policísticos) em uma mulher jovem é altamente sugestiva de trombose venosa mesentérica. Nesses casos, a tomografia computadorizada (TC) de abdome é o exame de escolha para o diagnóstico, e a conduta imediata é a anticoagulação plena para prevenir a progressão da trombose e o infarto intestinal.

Contexto Educacional

A dor abdominal difusa em mulheres jovens, especialmente na presença de múltiplos fatores de risco, exige uma investigação cuidadosa para excluir condições graves. A trombose venosa mesentérica (TVM) é uma causa rara, mas potencialmente fatal, de dor abdominal aguda, caracterizada pela formação de trombos nas veias mesentéricas, que podem levar à isquemia e infarto intestinal. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para a sobrevida do paciente. Os fatores de risco para TVM são variados e incluem estados de hipercoagulabilidade. Em mulheres jovens, o uso de contraceptivos orais combinados (COC) é um fator de risco bem estabelecido, que se potencializa com outros como tabagismo, obesidade e condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), que pode conferir um estado pró-trombótico. A apresentação clínica pode ser insidiosa, com dor abdominal inespecífica, o que pode atrasar o diagnóstico. A tomografia computadorizada (TC) de abdome com contraste é o método diagnóstico de escolha para a TVM, permitindo a visualização direta do trombo e dos sinais de isquemia intestinal. Uma vez diagnosticada, a conduta imediata é a anticoagulação plena, geralmente com heparina, seguida por anticoagulantes orais. O residente deve estar atento a essa condição, pois a falha em reconhecê-la e tratá-la prontamente pode resultar em morbidade e mortalidade significativas devido a complicações como perfuração intestinal e sepse.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para trombose venosa mesentérica em mulheres jovens?

Os principais fatores incluem o uso de contraceptivos orais combinados, tabagismo, obesidade, trombofilias hereditárias ou adquiridas (como a Síndrome dos Ovários Policísticos, que pode estar associada a um estado pró-trombótico), e doenças inflamatórias intestinais. A combinação de vários desses fatores aumenta significativamente o risco.

Como a TC de abdome auxilia no diagnóstico da trombose venosa mesentérica?

A tomografia computadorizada com contraste é o exame de imagem de escolha. Ela pode evidenciar o trombo dentro dos vasos mesentéricos (sinal do 'anel' ou 'alvo'), espessamento da parede intestinal, edema mesentérico, ascite e sinais de infarto intestinal, confirmando o diagnóstico e avaliando a extensão da doença.

Qual a importância da anticoagulação plena no tratamento da trombose venosa mesentérica?

A anticoagulação plena é a pedra angular do tratamento. Ela visa prevenir a propagação do trombo, promover a recanalização do vaso e evitar o infarto intestinal, que é uma complicação grave. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível após o diagnóstico para melhorar o prognóstico do paciente.

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