PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Uma paciente de 28 anos, previamente saudável, é trazida ao pronto-socorro com queixa de cefaleia intensa há 3 dias, acompanhada de náuseas e vômitos. A dor tem caráter progressivo e não responde aos analgésicos habituais. Refere uso de anticoncepcional oral combinado há 5 anos. Nega febre, traumas ou outras doenças associadas. Ao exame físico, apresenta-se consciente, orientada, sem déficits neurológicos focais, porém refere visão turva esporádica. Foi solicitada uma tomografia computadorizada (TC) de crânio com contraste, que evidencia o seguinte achado: Qual seria o tratamento inicial adequado para esta paciente?
TVC → Heparina (HBPM) inicial, mesmo com hematoma, seguida de anticoagulação oral (Varfarina ou DOAC).
O tratamento da trombose venosa cerebral baseia-se na anticoagulação plena para prevenir a progressão do trombo, sendo a HBPM a escolha inicial, seguida por transição para anticoagulantes orais.
A Trombose Venosa Cerebral (TVC) é uma causa importante de cefaleia e déficit neurológico em adultos jovens, especialmente mulheres em idade fértil usuárias de anticoncepcionais orais combinados. A fisiopatologia envolve a oclusão dos seios venosos durais ou veias corticais, levando ao edema cerebral citotóxico e vasogênico. O diagnóstico padrão-ouro é realizado por Venografia por Ressonância Magnética (Angio-RM venosa) ou Venografia por Tomografia (Angio-TC venosa). O tratamento visa reverter a causa base, controlar a pressão intracraniana e prevenir a recorrência trombótica.
A primeira linha de tratamento para a Trombose Venosa Cerebral (TVC) é a anticoagulação plena. Inicialmente, utiliza-se Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) em doses terapêuticas (ex: Enoxaparina 1mg/kg 12/12h) ou Heparina Não Fracionada (HNF). A HBPM é geralmente preferida devido ao perfil de segurança superior e menor risco de trombocitopenia induzida por heparina. O objetivo é impedir a progressão do trombo e facilitar a recanalização venosa natural.
Sim. Estudos recentes, como o RESPECT-CVT, demonstraram que os Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs), como a dabigatrana ou rivaroxabana, são alternativas seguras e eficazes à varfarina para o tratamento de manutenção da TVC após a fase aguda estabilizada com heparina parenteral. Eles oferecem a vantagem de não necessitarem de monitorização laboratorial do RNI, facilitando a adesão ao tratamento a longo prazo.
Diferente do AVC isquêmico arterial, a presença de transformação hemorrágica ou hematoma intraparenquimatoso secundário à TVC não contraindica a anticoagulação. Pelo contrário, a causa da hemorragia na TVC é a hipertensão venosa e o ingurgitamento capilar; ao tratar o trombo com anticoagulantes, reduz-se a pressão venosa, o que pode prevenir a expansão do sangramento. A anticoagulação é considerada segura e necessária nesses casos.
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