Trombose Venosa Cerebral: Diagnóstico e Sinais de Alerta

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher de 29 anos de idade, previamente hígida, é atendida na unidade de emergência de um hospital terciário. Relata quadro de cefaleia intensa, considerada por ela a pior da vida, de início espontâneo há 2 horas e que atingiu o seu pico em menos de 60 segundos. A paciente refere ter recebido a primeira dose de vacina de adenovírus contra o SARS-CoV-2 há 14 dias. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, corada, hidratada, anictérica, acianótica, eupneica, afebril, com pressão arterial de 140/86 mmHg, frequência cardíaca de 112 bpm e saturação periférica de oxigênio de 99% em ar ambiente. O exame neurológico não apresentou alterações. A imagem da tomografia de crânio sem contraste realizada pode ser vista na figura a seguir. Os exames laboratoriais realizados constam na tabela: Qual é o diagnóstico da paciente?

Alternativas

  1. A) Síndrome da vasoconstrição cerebral reversível
  2. B) Oclusão de artéria cerebral posterior
  3. C) Hematoma subdural
  4. D) Trombose venosa central
  5. E) Hemorragia subaracnóidea

Pérola Clínica

Cefaleia em trovoada + vacina adenovírus recente = suspeitar de Trombose Venosa Central.

Resumo-Chave

A cefaleia em trovoada é um sintoma de alerta para condições graves como hemorragia subaracnóidea ou trombose venosa cerebral. O histórico de vacinação recente com adenovírus contra SARS-CoV-2 é um forte indício para trombose, mesmo com exame neurológico normal, exigindo investigação imediata para TVC.

Contexto Educacional

A trombose venosa cerebral (TVC) é uma condição rara, mas potencialmente devastadora, que pode se manifestar com uma ampla gama de sintomas, sendo a cefaleia o mais frequente. A 'cefaleia em trovoada', caracterizada por um início súbito e atingindo o pico de intensidade em segundos a minutos, é um sinal de alerta para emergências neurológicas, incluindo a TVC e a hemorragia subaracnóidea. A história clínica detalhada, incluindo fatores de risco como o uso de contraceptivos orais, trombofilias ou, mais recentemente, a vacinação com vetores adenovirais contra SARS-CoV-2, é crucial para o diagnóstico. A fisiopatologia da TVC envolve a oclusão de seios venosos durais ou veias corticais, levando a aumento da pressão intracraniana, edema cerebral e, em alguns casos, hemorragia. No contexto da vacinação com adenovírus, a síndrome de trombose com trombocitopenia induzida por vacina (VITT) é uma complicação rara, mas grave, que pode causar TVC. Essa síndrome é caracterizada por trombose em locais incomuns e trombocitopenia, com anticorpos contra o fator plaquetário 4 (PF4). O diagnóstico da TVC requer alta suspeição clínica. Embora a tomografia de crânio sem contraste possa ser o exame inicial em emergências, a venografia por TC ou RM é essencial para a confirmação. O tratamento geralmente envolve anticoagulação plena para prevenir a propagação do trombo e recanalizar os vasos ocluídos, mesmo na presença de hemorragia. O manejo precoce e adequado é fundamental para melhorar o prognóstico e evitar sequelas neurológicas graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da trombose venosa cerebral?

Os sintomas da TVC são variados e inespecíficos, mas a cefaleia é o mais comum, frequentemente descrita como intensa e atípica. Outros sintomas incluem crises epilépticas, déficits neurológicos focais, papiledema e alteração do nível de consciência.

Como a vacina de adenovírus contra SARS-CoV-2 pode estar relacionada à TVC?

As vacinas de vetor adenoviral foram associadas a uma síndrome rara de trombose com trombocitopenia (VITT), que pode incluir trombose venosa cerebral. A suspeita deve ser alta em pacientes com novos sintomas neurológicos ou cefaleia intensa 5 a 30 dias após a vacinação.

Qual é a investigação diagnóstica inicial para TVC?

A tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste pode mostrar sinais indiretos, mas a angiotomografia venosa (angio-TC) ou a ressonância magnética (RM) com venografia são os exames de escolha para confirmar o diagnóstico de trombose venosa cerebral.

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