Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2024
Paciente do sexo feminino, 31 anos, procura atendimento com queixa de dor de cabeça intensa acompanhada de náuseas e vômitos, melhora com analgésicos. Tabagista desde os 18 anos faz uso de anticoncepcional. Feita tomografia com contraste que evidenciou o sinal de Delta vazio. Qual diagnóstico?
Cefaleia intensa + náuseas/vômitos + tabagismo/anticoncepcional + sinal do Delta Vazio na TC = Trombose Venosa Central.
O sinal do Delta Vazio na tomografia computadorizada com contraste é altamente sugestivo de trombose venosa central (TVS), indicando um trombo no seio venoso. A combinação de cefaleia intensa, náuseas, vômitos e fatores de risco como tabagismo e uso de anticoncepcionais orais em mulheres jovens reforça a suspeita diagnóstica, exigindo investigação e tratamento urgentes.
A Trombose Venosa Central (TVS) é uma condição rara, mas potencialmente grave, que afeta os seios venosos durais e as veias cerebrais. Sua apresentação clínica é variada e inespecífica, o que pode dificultar o diagnóstico. A cefaleia é o sintoma mais comum, presente em cerca de 90% dos casos, e pode ser acompanhada de náuseas, vômitos, papiledema, crises epilépticas e déficits neurológicos focais. A epidemiologia mostra uma maior incidência em mulheres jovens, devido a fatores de risco como uso de anticoncepcionais orais e gravidez/puerpério, além do tabagismo que potencializa o risco. A fisiopatologia da TVS envolve a formação de um trombo nos seios venosos, o que leva ao aumento da pressão venosa cerebral, comprometimento da reabsorção do líquido cefalorraquidiano e, consequentemente, hipertensão intracraniana. O diagnóstico é primariamente feito por exames de imagem. A tomografia computadorizada (TC) com contraste pode evidenciar o clássico 'sinal do Delta Vazio', que representa o trombo não contrastado dentro do seio contrastado. No entanto, a angiotomografia (Angio-TC) ou a angiorressonância (Angio-RM) venosa cerebral são os exames de escolha para confirmar o diagnóstico, delineando o trombo e a extensão da oclusão. O tratamento da TVS é baseado na anticoagulação plena para prevenir a propagação do trombo e promover a recanalização. A heparina (não fracionada ou de baixo peso molecular) é a terapia inicial, seguida por anticoagulantes orais por um período que varia de 3 a 12 meses, dependendo da causa e dos fatores de risco. O prognóstico geralmente é bom com tratamento precoce, mas complicações como déficits neurológicos residuais e hipertensão intracraniana crônica podem ocorrer. A suspeita clínica em pacientes com cefaleia atípica e fatores de risco é crucial para um diagnóstico e manejo oportunos.
Os principais fatores de risco para Trombose Venosa Central incluem estados de hipercoagulabilidade (trombofilias hereditárias ou adquiridas), uso de anticoncepcionais orais, tabagismo, gravidez e puerpério, infecções (como sinusite ou otite), doenças inflamatórias sistêmicas, malignidades e traumas cranianos.
O sinal do Delta Vazio é uma imagem característica na tomografia computadorizada com contraste, onde o trombo no seio venoso não capta contraste, enquanto as paredes do seio e a dura-máter adjacente captam, formando uma área triangular hipodensa (o 'vazio') circundada por uma área hiperdensa (o 'delta').
A conduta inicial para suspeita de Trombose Venosa Central envolve a realização de exames de imagem como angiotomografia ou angiorressonância venosa cerebral para confirmação. Uma vez confirmado, o tratamento primário é a anticoagulação plena, geralmente com heparina de baixo peso molecular ou heparina não fracionada, para prevenir a propagação do trombo e recanalizar o vaso.
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