Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026
Adolescente, sexo masculino, 13 anos de idade, com diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda, em quimioterapia, apresenta dor e edema em braço direito há 24 horas, local em que já possui cateter central de inserção periférica (PICC). Nega febre. Ao exame clínico, apresenta assimetria de 2 cm no perímetro braquial, leve eritema no trajeto do PICC, com dor discreta à palpação e sem calor local, pulsos periféricos palpáveis. Colhido hemograma, sem alterações significativas (1.750 neutrófilos). Proteína C reativa: 0,5 mg/L. Pró-calcitonina: 0,1 ng/mL. Realizada ultrassonografia Doppler venoso: trombose da veia axilar e subclávia direita. Qual é a conduta mais adequada?
Trombose por PICC → Anticoagular primeiro; remover cateter só após estabilização ou se disfuncional.
Em casos de trombose venosa profunda associada a cateter (TVP-AC), a prioridade é iniciar a anticoagulação. A remoção imediata sem proteção antitrombótica aumenta o risco de embolização.
A trombose venosa associada a cateter (TVP-AC) é uma complicação frequente em adolescentes com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), devido ao estado de hipercoagulabilidade induzido pela própria neoplasia e pelo uso de agentes quimioterápicos (como a asparaginase), somado à presença do corpo estranho (PICC). O diagnóstico é confirmado pela ultrassonografia com Doppler, que demonstra a ausência de compressibilidade da veia e a presença de material ecogênico intraluminal. O manejo atual prioriza a estabilização do quadro com anticoagulação plena. A decisão de manter ou retirar o cateter depende da necessidade clínica do acesso e da resposta ao tratamento. Caso o cateter seja retirado, a anticoagulação deve ser mantida por um período total que geralmente varia de 3 meses, dependendo da resolução dos fatores de risco e da evolução clínica do paciente. A monitorização de sinais de síndrome pós-trombótica e recorrência é essencial no seguimento a longo prazo desses pacientes.
Não necessariamente. Se o cateter ainda for funcional, estiver bem posicionado e for essencial para o tratamento do paciente (como em protocolos de quimioterapia), ele pode ser mantido enquanto o paciente recebe anticoagulação. A remoção é indicada se houver falha na anticoagulação, progressão do trombo, infecção associada (tromboflebite séptica), se o cateter não for mais necessário ou se ele estiver obstruído.
A manipulação ou retirada de um cateter envolto por um trombo fresco pode causar a fragmentação desse trombo e sua subsequente migração para a circulação pulmonar, resultando em embolia pulmonar (TEP). Iniciar a anticoagulação (geralmente com heparina de baixo peso molecular) ajuda a estabilizar o trombo e prevenir sua propagação, tornando a remoção do dispositivo mais segura após alguns dias de tratamento.
A Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM), como a enoxaparina, é frequentemente a droga de escolha na pediatria devido à sua farmacocinética previsível, menor necessidade de monitoramento laboratorial frequente em comparação com a heparina não fracionada e menor risco de trombocitopenia induzida por heparina (HIT). Em pacientes oncológicos, a HBPM também é preferida em relação aos antagonistas da vitamina K devido às frequentes interações medicamentosas.
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