Trombose de Veia Renal em Síndrome Nefrótica Pediátrica

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 4 anos de idade, está em acompanhamento ambulatorial, em redução de dosagem de corticoide por diagnóstico de síndrome nefrótica há 3 meses. Há 2 dias, houve redução da diurese e aumento de edema generalizado. A radiografia de tórax mostra congestão pulmonar e derrame pleural laminar bilateral. Foi medicado com furosemida. Evoluiu com dor em flanco esquerdo e hematúria macroscópica. A palpação abdominal é dolorosa, com ascite e com massa palpável à esquerda. A hipótese diagnóstica adequada ao quadro é

Alternativas

  1. A) síndrome hemolítico-urêmica.
  2. B) trombose de veia renal.
  3. C) pielonefrite.
  4. D) peritonite primária.
  5. E) glomerulonefrite rapidamente progressiva.

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica + dor flanco + hematúria + massa abdominal → Trombose de Veia Renal.

Resumo-Chave

Pacientes com síndrome nefrótica têm um estado de hipercoagulabilidade devido à perda urinária de antitrombina III e outros fatores. A trombose de veia renal é uma complicação grave que se manifesta com dor em flanco, hematúria macroscópica, piora do edema e, por vezes, massa palpável devido ao rim aumentado.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em crianças, a forma mais comum é a doença de lesões mínimas. Uma das complicações mais graves e potencialmente fatais da síndrome nefrótica é o estado de hipercoagulabilidade, que predispõe a eventos tromboembólicos, sendo a trombose de veia renal (TVR) uma das mais relevantes. A fisiopatologia da hipercoagulabilidade na síndrome nefrótica envolve a perda urinária de proteínas anticoagulantes, como a antitrombina III, e o aumento da síntese hepática de fatores de coagulação (fibrinogênio, fator V, fator VIII), além de disfunção plaquetária. A TVR deve ser suspeitada em pacientes com síndrome nefrótica que apresentam dor súbita em flanco, hematúria macroscópica, piora do edema, oligúria ou febre. A presença de uma massa palpável no flanco esquerdo, como descrito no caso, reforça a hipótese. O diagnóstico da TVR é confirmado por exames de imagem, como ultrassonografia Doppler renal, que pode mostrar ausência de fluxo na veia renal ou trombos. A angiotomografia ou angio-ressonância também são úteis. O tratamento envolve anticoagulação imediata com heparina, seguida de anticoagulação oral prolongada. O manejo da síndrome nefrótica subjacente e suas complicações é crucial para o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que a síndrome nefrótica aumenta o risco de trombose de veia renal?

A síndrome nefrótica causa um estado de hipercoagulabilidade devido à perda urinária de antitrombina III, aumento da síntese hepática de fatores de coagulação e agregação plaquetária, predispondo à trombose.

Quais são os principais sinais e sintomas da trombose de veia renal em crianças?

Os sinais incluem dor súbita em flanco, hematúria macroscópica, piora do edema, oligúria, febre e, em alguns casos, massa abdominal palpável devido ao rim edemaciado.

Como é feito o diagnóstico e tratamento da trombose de veia renal?

O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia Doppler renal ou angiotomografia. O tratamento envolve anticoagulação (heparina, seguida de varfarina) e medidas de suporte, podendo ser necessária trombectomia em casos graves.

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