Trombose de Veia Porta Pediátrica: Diagnóstico e Melena

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 6 meses, sexo masculino, apresenta melena em grande quantidade, sendo internado para investigação diagnóstica. Os responsáveis referem que ele apresenta quadro febril há 48 horas, associado à diarreia. História patológica pregressa de internação em UTI neonatal, tendo usado múltiplos esquemas antibióticos, nutrição parental e diversos acessos profundos (cateter umbilical, PICC e dissecção venosa); obteve alta após dois meses de internação, em uso de fórmula parcialmente hidrolisada. Ao exame físico, encontra-se eutrófico, ativo e reativo, fontanela anterior normotensa, anictérico, acianótico, hidratado, hipocorado 2+/4+, com boa perfusão periférica. Discreta distensão abdominal, sem visceromegalias. Restante do exame sem alterações. Raio X de abdômen normal, hemograma com anemia normocítica e normocrômica, além de leucocitose com linfocitose, e ultrassonografia de abdômen com Doppler demonstrando fluxo hepatofugal. A causa mais provável para a melena é:

Alternativas

  1. A) trombose de veia porta
  2. B)  enterocolite necrosante
  3. C) diarreia bacteriana invasiva
  4. D) alergia à proteína do leite de vaca

Pérola Clínica

Melena em lactente com história neonatal de acessos venosos profundos + fluxo hepatofugal → Trombose de Veia Porta.

Resumo-Chave

A história de internação em UTI neonatal com múltiplos acessos venosos profundos (cateter umbilical, PICC) é um fator de risco importante para trombose de veia porta em lactentes. A melena, associada à anemia e fluxo hepatofugal no Doppler, sugere sangramento por varizes esofágicas secundárias à hipertensão portal.

Contexto Educacional

A trombose de veia porta (TVP) em lactentes é uma causa importante de hipertensão portal pré-hepática, que pode se manifestar com sangramento gastrointestinal, como melena. A condição é frequentemente uma sequela de eventos neonatais, como o uso de cateteres umbilicais ou outros acessos venosos profundos, que podem causar lesão endotelial e formação de trombos. A incidência exata é desconhecida, mas é uma causa comum de sangramento varicoso em crianças. A fisiopatologia envolve a formação de um trombo na veia porta, que obstrui o fluxo sanguíneo para o fígado. Isso leva a um aumento da pressão no sistema porta (hipertensão portal), resultando na formação de vasos colaterais (varizes) para desviar o sangue. Essas varizes, especialmente as esofágicas, são frágeis e propensas a sangrar, causando melena ou hematêmese. O diagnóstico é fortemente sugerido pela história clínica (neonatal complexa, acessos venosos) e confirmado por exames de imagem, como o ultrassom Doppler, que demonstra o trombo e o fluxo hepatofugal. O tratamento da TVP em lactentes foca no manejo das complicações da hipertensão portal, principalmente o sangramento varicoso. Isso pode incluir endoscopia para ligadura ou escleroterapia de varizes, e em alguns casos, shunts portossistêmicos. A anticoagulação pode ser considerada para prevenir a progressão do trombo ou em casos agudos, mas seu papel na TVP crônica é mais limitado. O prognóstico é variável, dependendo da extensão da trombose e da presença de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco estão associados à trombose de veia porta em lactentes?

Os principais fatores de risco incluem história de cateterismo umbilical, uso prolongado de cateteres venosos centrais (PICC, dissecção venosa), sepse neonatal, desidratação grave e condições protrombóticas. A inflamação e o trauma vascular são mecanismos importantes.

Como a trombose de veia porta causa melena em crianças?

A trombose de veia porta leva à hipertensão portal pré-hepática, que causa a formação de varizes em locais de anastomose portossistêmica, como o esôfago e o estômago. O sangramento dessas varizes é a principal causa de melena e hematêmese em crianças com hipertensão portal.

Qual o papel do ultrassom Doppler no diagnóstico da trombose de veia porta?

O ultrassom Doppler é o exame de escolha para o diagnóstico da trombose de veia porta, permitindo visualizar o trombo na veia porta e avaliar o fluxo sanguíneo. O achado de fluxo hepatofugal (fluxo para fora do fígado) é um sinal característico de hipertensão portal significativa.

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