HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Mulher, 35 anos de idade, procura pronto atendimento devido a dor abdominal difusa há cinco dias. Nega alterações urinárias ou intestinais. Tem antecedente de endometriose, em tratamento com anticoncepcional oral combinado. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, anictérica, afebril, pressão arterial 130x70mmHg, frequência cardíaca 85bpm e índice de massa corporal 37kg/m². Abdome globoso, flácido, doloroso à palpação difusamente, sem sinais de irritação peritoneal. Realizou tomografia computadorizada de abdome total, mostrada a seguir: Qual é o diagnóstico da paciente?
Dor abdominal difusa + uso de ACO + obesidade + TC com trombose de veia porta = Trombose de Veia Porta.
A trombose de veia porta deve ser considerada em pacientes com dor abdominal inespecífica e fatores de risco para trombose, como uso de anticoncepcionais orais combinados e obesidade. A TC de abdome é essencial para o diagnóstico, mostrando o trombo na veia porta.
A trombose de veia porta (TVP) é uma condição na qual um coágulo sanguíneo se forma na veia porta, que drena o sangue do trato gastrointestinal para o fígado. Embora a cirrose seja a causa mais comum, a TVP pode ocorrer em pacientes sem doença hepática subjacente, especialmente na presença de estados de hipercoagulabilidade. A fisiopatologia envolve a tríade de Virchow (lesão endotelial, estase sanguínea e hipercoagulabilidade). No caso apresentado, o uso de anticoncepcionais orais combinados e a obesidade são fatores de risco conhecidos para estados de hipercoagulabilidade. A dor abdominal difusa é um sintoma comum, mas inespecífico, tornando o diagnóstico desafiador sem exames de imagem. O diagnóstico definitivo é feito por exames de imagem, como a tomografia computadorizada (TC) com contraste ou a ressonância magnética (RM), que demonstram o trombo na veia porta. O tratamento visa prevenir a extensão do trombo, recanalizar o vaso e evitar complicações como a hipertensão portal. A anticoagulação é a pedra angular do tratamento, com duração variável dependendo da causa e do risco de recorrência.
Fatores de risco incluem estados de hipercoagulabilidade (trombofilias hereditárias ou adquiridas), cirrose hepática, neoplasias intra-abdominais, infecções intra-abdominais (pancreatite, apendicite), uso de anticoncepcionais orais e obesidade.
A apresentação clínica é variável, desde assintomática até dor abdominal aguda ou crônica, náuseas, vômitos, febre e esplenomegalia. Pode levar a hipertensão portal pré-hepática com varizes esofágicas e ascite.
A tomografia computadorizada com contraste é o método de imagem de escolha para o diagnóstico, permitindo visualizar o trombo na veia porta, avaliar a extensão da trombose e identificar possíveis causas subjacentes ou complicações como isquemia intestinal.
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