Varizes Gástricas e Pancreatite Crônica: Causa e Manejo

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 52 anos deu entrada no serviço de emergência com quadro de hemorragia digestiva alta. Após estabilização clínica, realizado EDA que evidenciou varizes de fundo gástrico IGV tipo 1 pela Classificação de Sarin. Possui história pregressa de etilismo esteatorreia, perda de peso e RX de abdome com calcificações pancreáticas. Diante do quadro, a provável etiologia ao surgimento das varizes foi:

Alternativas

  1. A) trombose completa da veia porta por complicação de pileflebite.
  2. B) ruptura da veia gastroepiploica direita por vaso anômalo de Dieulafoy.
  3. C) Hipertensão segmentar da veia Mesentérica superior por pinçamento aortomesentérico.
  4. D) trombose da veia esplênica por trombose segmentar, fruto de compressão mecânica massa inflamatória, pancreatite crônica alcoólica.

Pérola Clínica

Varizes de fundo gástrico isoladas + Pancreatite Crônica → Trombose de veia esplênica.

Resumo-Chave

A história de etilismo, esteatorreia e calcificações pancreáticas sugere pancreatite crônica alcoólica. Essa condição pode levar à trombose da veia esplênica por compressão ou inflamação, causando hipertensão portal segmentar e, consequentemente, varizes de fundo gástrico isoladas (IGV tipo 1), que são a causa da hemorragia digestiva alta.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta por varizes gástricas é uma complicação grave, frequentemente associada à hipertensão portal. Embora a cirrose hepática seja a causa mais comum de hipertensão portal generalizada, é crucial reconhecer causas menos frequentes, como a hipertensão portal segmentar. Esta última é tipicamente causada pela trombose da veia esplênica, que drena o baço e parte do estômago, levando à formação de varizes de fundo gástrico isoladas. A fisiopatologia da trombose da veia esplênica em pacientes com pancreatite crônica alcoólica envolve a inflamação e fibrose do pâncreas, que podem comprimir ou invadir a veia esplênica. O etilismo crônico é um fator de risco para pancreatite crônica, que se manifesta por esteatorreia (insuficiência pancreática exócrina), perda de peso e calcificações pancreáticas no raio-X. O diagnóstico é suspeitado pela história clínica e confirmado por exames de imagem como a tomografia computadorizada com contraste, que visualiza a trombose da veia esplênica. O manejo da hemorragia aguda envolve a estabilização hemodinâmica. O tratamento definitivo para varizes de fundo gástrico secundárias à trombose da veia esplênica é a esplenectomia, que remove o baço e a veia trombosada, resolvendo a hipertensão portal segmentar e prevenindo novos sangramentos. Residentes devem estar atentos a essa etiologia específica para um diagnóstico e tratamento precisos, evitando condutas inadequadas para hipertensão portal generalizada.

Perguntas Frequentes

Como a pancreatite crônica pode levar à trombose da veia esplênica?

A inflamação crônica do pâncreas pode causar compressão extrínseca da veia esplênica, ou a liberação de enzimas e citocinas inflamatórias pode levar à trombose intrínseca do vaso.

Quais são as características das varizes de fundo gástrico causadas por trombose da veia esplênica?

São tipicamente varizes de fundo gástrico isoladas (IGV tipo 1 na classificação de Sarin), sem varizes esofágicas ou outros sinais de hipertensão portal generalizada, devido à hipertensão portal segmentar.

Qual o tratamento para varizes de fundo gástrico secundárias à trombose da veia esplênica?

O tratamento definitivo é a esplenectomia, que remove o baço e a veia esplênica trombosada, aliviando a hipertensão portal segmentar e o risco de ressangramento das varizes.

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