Pancreatite Aguda: Trombose Esplênica e Hemorragia Digestiva

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 53 anos está hospitalizada devido a quadro de pancreatite aguda biliar moderada. Está no 25º dia de internamento, houve regressão do quadro da pancreatite e uma tomografia de controle foi solicitada para planejar a colecistectomia. Achados: pâncreas aumentado de tamanho, edema da gordura peripancreática e sinais de trombo em veia esplênica. Qual das seguintes complicações está associada a este achado?

Alternativas

  1. A) Embolia esplênica.
  2. B) Isquemia do figado.
  3. C) Hemorragia digestiva.
  4. D) Trombose mesentérica.

Pérola Clínica

Trombose veia esplênica em pancreatite → Hipertensão portal segmentar → Varizes gástricas → Hemorragia digestiva.

Resumo-Chave

A trombose da veia esplênica é uma complicação conhecida da pancreatite aguda ou crônica, levando à hipertensão portal segmentar. Isso pode causar o desenvolvimento de varizes gástricas isoladas, que têm alto risco de sangramento e, consequentemente, hemorragia digestiva.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com diversas complicações locais e sistêmicas. Uma complicação vascular importante, embora menos comum, é a trombose da veia esplênica. Esta ocorre devido à proximidade anatômica da veia esplênica com o pâncreas, onde a inflamação, o edema e a liberação de enzimas podem causar dano endotelial e estase sanguínea, favorecendo a formação de trombos. A trombose da veia esplênica leva a um quadro de hipertensão portal segmentar ou esquerda, onde o fluxo sanguíneo do baço é impedido de drenar para o sistema portal principal. Isso resulta em aumento da pressão nas veias tributárias do baço, principalmente as veias gástricas curtas e a veia gástrica esquerda, levando à formação de varizes gástricas isoladas. Essas varizes gástricas, especialmente as do fundo gástrico, têm alto risco de ruptura e sangramento, manifestando-se como hemorragia digestiva alta. Portanto, a identificação de trombose da veia esplênica em pacientes com pancreatite, mesmo após a resolução do quadro agudo, é um achado crítico que alerta para o risco iminente de sangramento por varizes e pode influenciar o planejamento cirúrgico ou a necessidade de intervenções endoscópicas ou cirúrgicas adicionais (como a esplenectomia).

Perguntas Frequentes

Como a pancreatite aguda pode levar à trombose da veia esplênica?

A inflamação e o edema peripancreático na pancreatite podem comprimir a veia esplênica ou causar dano endotelial, predispondo à formação de trombos. A liberação de enzimas pancreáticas também pode contribuir para um estado protrombótico local.

Quais são as consequências da trombose da veia esplênica?

A trombose da veia esplênica causa hipertensão portal segmentar, que leva ao desenvolvimento de varizes gástricas (principalmente no fundo gástrico) e, em menor grau, varizes esofágicas, além de esplenomegalia congestiva.

Qual o manejo da trombose da veia esplênica associada à pancreatite?

O manejo depende da presença de sintomas e complicações. Se houver varizes gástricas com sangramento, a esplenectomia é frequentemente indicada para remover a fonte da hipertensão portal segmentar e o risco de ressangramento. A anticoagulação pode ser considerada em casos selecionados.

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