Trombólise no AVE Isquêmico: Exames Essenciais e Condutas

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023

Enunciado

Durante o atendimento de um paciente com rebaixamento súbito do nível de consciência, no departamento de emergência, sua principal suspeita é acidente vascular encefálico. Após realização de tomografia de crânio e exclusão de hemorragia, foi considerada a indicação de trombólise. Com base nessa hipótese, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) quando indicada, a trombólise não deve ser precedida da medida de glicemia, exceto em pacientes sabidamente diabéticos.
  2. B) não é recomendado dosagem de plaquetas ou coagulograma, exceto na suspeita de distúrbio prévio de coagulação.
  3. C) após a trombólise, deve-se manter a pressão arterial > 180/105 mmHg para preservação da zona de penumbra.
  4. D) hipertermia (temperatura >38°C), quando presente, deve ser mantida, pois é considerada uma adaptação temporária à injúria cerebral.
  5. E) o uso prévio de droga antiplaquetária em monoterapia contraindica a trombólise.

Pérola Clínica

Trombólise AVE: Não rotina plaquetas/coagulograma, exceto suspeita distúrbio coagulação.

Resumo-Chave

No manejo do AVE isquêmico agudo com indicação de trombólise, a agilidade é crucial. A dosagem de plaquetas e o coagulograma não são exames de rotina pré-trombólise, a menos que haja suspeita clínica de distúrbio de coagulação ou uso de anticoagulantes, para não atrasar o tratamento. Outros fatores como glicemia e controle da PA são importantes.

Contexto Educacional

O acidente vascular encefálico (AVE) isquêmico agudo é uma emergência médica, e a trombólise intravenosa com alteplase é o tratamento de escolha para pacientes elegíveis, visando a reperfusão cerebral e a minimização do dano neurológico. A janela terapêutica é estreita (geralmente até 4,5 horas do início dos sintomas), tornando a avaliação rápida e precisa fundamental. A exclusão de hemorragia intracraniana por tomografia de crânio é o primeiro passo crítico. Para a indicação de trombólise, a avaliação clínica e neurológica deve ser ágil. A medida da glicemia capilar é obrigatória para excluir hipoglicemia como causa do rebaixamento de consciência, que pode mimetizar um AVE. No entanto, a dosagem de plaquetas e o coagulograma (TAP, PTT) não são exames de rotina que devem atrasar a trombólise, a menos que haja uma história clínica sugestiva de distúrbio de coagulação, uso de anticoagulantes orais ou evidência de trombocitopenia. A espera por esses resultados pode comprometer a janela terapêutica. Após a trombólise, o manejo da pressão arterial é crucial, devendo ser mantida rigorosamente abaixo de 180/105 mmHg para reduzir o risco de transformação hemorrágica. A hipertermia (>38°C) é prejudicial no AVE, pois aumenta o metabolismo cerebral e o dano isquêmico, devendo ser ativamente tratada. O uso prévio de antiplaquetários em monoterapia não é uma contraindicação absoluta à trombólise, mas o uso de múltiplos antiplaquetários ou anticoagulantes orais diretos requer avaliação cuidadosa e, em alguns casos, pode contraindicar o procedimento.

Perguntas Frequentes

Quais exames laboratoriais são obrigatórios antes da trombólise para AVE isquêmico?

A medida da glicemia capilar é obrigatória para excluir hipoglicemia. Exames como coagulograma e plaquetas não são de rotina, sendo solicitados apenas se houver suspeita de distúrbio de coagulação ou uso de anticoagulantes.

Qual a importância da glicemia antes da trombólise no AVE?

A glicemia é crucial para descartar hipoglicemia, que pode mimetizar sintomas de AVE e atrasar o diagnóstico correto. Tanto hipo quanto hiperglicemia devem ser corrigidas para otimizar o prognóstico.

Como manejar a pressão arterial após a trombólise em um paciente com AVE?

Após a trombólise, a pressão arterial deve ser mantida rigorosamente abaixo de 180/105 mmHg para minimizar o risco de transformação hemorrágica. O controle deve ser feito com anti-hipertensivos intravenosos de ação rápida.

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