Tromboflebite em Jovens: Investigação de Trombofilia e ACO

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 22 anos apresentou quadro de cordão endurado e doloroso na face anterolateral do antebraço esquerdo, um ultrassom Doppler confirmou o diagnóstico de tromboflebite de veia basílica. A paciente nega o uso de medicações injetáveis nesta veia ou em qualquer outro sítio e quando questionada sobre medicações em uso refere apenas que há 15 dias iniciou o uso de anticoncepcional oral. Uma hipótese diagnóstica e uma investigação apropriada para a mesma estão descritos na alternativa:

Alternativas

  1. A) Doença de Burger; Doppler arterial do membro superior acometido.
  2. B) trombofilia; pesquisa de mutação do fator V de Leiden, dosagem de proteínas S e C.
  3. C) Síndrome de Cockett.
  4. D) embolia paradoxal; angiotomografia pulmonar.
  5. E) Síndrome de Raynaud; Doppler arterial do membro superior acometido.

Pérola Clínica

Tromboflebite em jovem sem fator de risco óbvio + uso de ACO → investigar trombofilia.

Resumo-Chave

O uso de anticoncepcionais orais é um conhecido fator de risco para trombose, mas uma tromboflebite em uma paciente jovem, sem outros fatores de risco claros (como trauma ou uso de injetáveis na veia), levanta a suspeita de uma trombofilia subjacente. A investigação de trombofilias hereditárias, como a mutação do Fator V de Leiden e deficiências de Proteínas S e C, é fundamental nesse cenário.

Contexto Educacional

A tromboflebite superficial é a inflamação e trombose de uma veia superficial, manifestando-se como um cordão palpável, doloroso e eritematoso. Embora frequentemente benigna e autolimitada, pode indicar uma condição subjacente mais grave ou progredir para trombose venosa profunda (TVP) ou embolia pulmonar (EP), especialmente se envolver a junção safeno-femoral ou safeno-poplítea. A fisiopatologia envolve a tríade de Virchow: estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. No caso apresentado, o uso de anticoncepcionais orais (ACO) é um fator de risco conhecido para hipercoagulabilidade, pois aumentam os níveis de fatores de coagulação e diminuem os de anticoagulantes naturais. No entanto, em uma paciente jovem sem outros fatores de risco evidentes, a ocorrência de tromboflebite deve levantar a suspeita de uma trombofilia hereditária ou adquirida, que pode potencializar o efeito protrombótico do ACO. A investigação de trombofilia é crucial para identificar pacientes com risco aumentado de eventos trombóticos recorrentes. Os exames incluem a pesquisa de mutações genéticas (Fator V de Leiden, protrombina G20210A) e a dosagem de proteínas anticoagulantes naturais (Proteínas S e C, antitrombina), além de testes para síndrome antifosfolípide. O tratamento da tromboflebite superficial geralmente envolve medidas locais (compressas quentes, elevação do membro), anti-inflamatórios e, em alguns casos, anticoagulação, especialmente se houver extensão para veias profundas ou alto risco de progressão.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para tromboflebite superficial?

Os fatores de risco incluem trauma local, cateteres venosos, varizes, imobilização, malignidade, gravidez, puerpério, uso de anticoncepcionais orais, terapia hormonal e trombofilias.

Por que investigar trombofilia em uma paciente jovem com tromboflebite e uso de ACO?

Embora o ACO seja um fator de risco, a ocorrência de trombose em uma paciente jovem sem outros fatores óbvios sugere uma predisposição genética subjacente (trombofilia), que pode aumentar o risco de eventos trombóticos futuros, mesmo após a suspensão do ACO.

Quais exames são indicados na investigação de trombofilia?

A investigação de trombofilia inclui a pesquisa de mutação do Fator V de Leiden, mutação da protrombina G20210A, dosagem de Proteínas S e C, antitrombina, homocisteína e anticorpos antifosfolípides (lúpus anticoagulante, anticardiolipina, anti-beta2-glicoproteína I).

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