UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Mulher, 28 anos, em uso de anovulatório oral, é atendida no setor de emergência com quadro de dor, calor, rubor em face medial de coxa esquerda de início recente, onde se palpa cordão endurado e muito doloroso. EcoDoppler: tromboflebite de veia safena magna a nível de coxa desde o joelho até 2,5 cm da junção safeno femoral. Pode-se afirmar que a conduta terapêutica mais adequada é:
Tromboflebite < 3cm da junção profunda (safeno-femoral/poplítea) → Anticoagulação plena (tratar como TVP).
A proximidade do trombo superficial com o sistema venoso profundo (distância < 3 cm) eleva drasticamente o risco de embolia, exigindo tratamento sistêmico imediato.
A tromboflebite superficial (TFS) foi por muito tempo negligenciada como uma condição benigna. No entanto, estudos como o SURPRISE e o CALISTO demonstraram que a TFS de grandes veias (como a safena magna acima do joelho) possui um risco não desprezível de evolução para Tromboembolismo Pulmonar (TEP). Nesta paciente, a presença de um cordão endurecido na face medial da coxa associada ao EcoDoppler mostrando o trombo a apenas 2,5 cm da junção safeno-femoral classifica o evento como de altíssimo risco. A proximidade anatômica permite que o trombo 'flutue' para dentro da veia femoral comum. Portanto, a conduta de anticoagulação plena visa não apenas tratar a inflamação local, mas prevenir uma complicação sistêmica potencialmente fatal.
Tradicionalmente, trombos localizados a menos de 3 cm (alguns protocolos citam 5 cm) da junção safeno-femoral ou da junção safeno-poplítea são considerados de alto risco para progressão para o sistema venoso profundo. Nesses casos, a conduta deve ser análoga ao tratamento de Trombose Venosa Profunda (TVP), com anticoagulação em dose plena, em vez de apenas profilática ou tratamento sintomático.
Os anovulatórios orais combinados aumentam o estado de hipercoagulabilidade devido ao componente estrogênico, que eleva os níveis de fatores pró-coagulantes e reduz inibidores naturais como a proteína S. Em uma paciente com quadro agudo de tromboflebite, o anticoncepcional atua como um fator de risco modificável que precipitou o evento e deve ser descontinuado imediatamente.
A exérese cirúrgica de urgência (flebectomia ou crosectomia) caiu em desuso como primeira linha frente à eficácia da anticoagulação. Ela pode ser considerada em casos de falha do tratamento medicamentoso, contraindicação absoluta à anticoagulação ou em situações muito específicas de supuração local, mas a conduta padrão ouro atual para evitar progressão tromboembólica é a medicação.
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