FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Paciente de 32 anos, G3P3, submetida a cesariana há 7 dias, procura pronto atendimento com febre persistente (38,3 ℃) há 4 dias, mesmo após antibioticoterapia endovenosa para endometrite puerperal. Refere calafrios intermitentes e dor em fossa ilíaca direita. Ao exame: útero de tamanho adequado para o período puerperal, lóquios em pequena quantidade, sem odor fétido, cicatriz cirúrgica íntegra e sem sinais de infecção local. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Febre persistente pós-parto + antibiótico ineficaz + exame físico normal → Tromboflebite Pélvica Séptica.
A tromboflebite pélvica séptica é um diagnóstico de exclusão em pacientes com febre puerperal que não respondem à antibioticoterapia de amplo espectro para endometrite.
A tromboflebite pélvica séptica ocorre devido à tríade de Virchow exacerbada no puerpério: estase venosa pélvica, lesão endotelial (trauma cirúrgico ou infecção) e hipercoagulabilidade gestacional. A infecção bacteriana da cavidade uterina (endometrite) pode se estender para as veias pélvicas, causando trombose infectada. Existem duas formas: a trombose da veia ovariana (mais localizada e dolorosa) e a forma enigmática (febre sem dor localizada). O reconhecimento precoce é vital para evitar complicações como embolia pulmonar séptica. O manejo exige alta suspeição clínica quando a resposta ao tratamento padrão de infecção puerperal é insatisfatória.
Deve-se suspeitar de tromboflebite pélvica séptica (TPS) em pacientes no puerpério (especialmente após cesariana) que apresentam febre alta persistente e calafrios, apesar do uso de antibióticos de amplo espectro por 48 a 72 horas para o tratamento de endometrite, e que não possuem outros focos óbvios de infecção (como abscessos ou infecção de parede).
A TPS é frequentemente um diagnóstico de exclusão. Clinicamente, a 'prova terapêutica' com heparina era usada no passado (defervescência em 48h), mas hoje exames de imagem como Tomografia Computadorizada ou Ressonância Magnética com contraste são preferidos para visualizar trombos nas veias pélvicas ou ovarianas.
O tratamento consiste na manutenção da antibioticoterapia de amplo espectro associada à anticoagulação plena (geralmente com Heparina de Baixo Peso Molecular ou Heparina Não Fracionada). A duração da anticoagulação é debatida, variando de 7 a 14 dias ou até a paciente permanecer afebril por 48 horas.
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