Investigação de Trombofilias em Pré-eclâmpsia Grave Precoce

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta de 25 semanas de gestação evoluiu com pré-eclâmpsia grave, síndrome HELLP, hematoma hepático, restrição de crescimento fetal e descolamento prematuro de placenta com feto morto. Após diagnóstico e tratamento precoces e internação em UTI, a paciente recuperou-se.Pelo quadro grave apresentado pela paciente e em idade gestacional precoce, deve-se pesquisar a seguinte patologia de base:

Alternativas

  1. A) Hipertensão arterial sistêmica crônica.
  2. B) Lúpus eritematoso sistêmico.
  3. C) Trombofilia.
  4. D) Nefropatia.
  5. E) Malformação uterina

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave < 34 semanas ou complicações sistêmicas catastróficas → Investigar Trombofilias.

Resumo-Chave

Quadros graves de insuficiência placentária e pré-eclâmpsia de início precoce exigem a investigação de patologias de base, sendo as trombofilias as principais suspeitas.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma desordem multissistêmica definida pela hipertensão surgida após a 20ª semana de gestação. Quando se apresenta de forma precoce (antes de 34 semanas) e com complicações graves como a Síndrome HELLP ou hematoma hepático subcapsular, a fisiopatologia costuma estar ligada a uma falha profunda na segunda onda de invasão trofoblástica. Nesses cenários, a investigação de trombofilias (hereditárias como o Fator V de Leiden e a mutação da protrombina, ou adquiridas como a SAF) é essencial. Essas condições predispõem a um estado pró-trombótico que compromete a circulação uteroplacentária, resultando em RCF, DPP e óbito fetal. O diagnóstico dessas patologias de base é crucial para o planejamento de futuras gestações, onde o uso de AAS e Heparina de Baixo Peso Molecular pode ser indicado para melhorar o desfecho obstétrico.

Perguntas Frequentes

Por que investigar trombofilia em casos de pré-eclâmpsia precoce?

A pré-eclâmpsia que ocorre antes de 34 semanas, especialmente quando associada a complicações como síndrome HELLP, restrição de crescimento fetal (RCF) ou descolamento prematuro de placenta (DPP), está fortemente ligada a defeitos na placentação causados por vasculopatia. Trombofilias, como a Síndrome Antifosfolípide (SAF), aumentam o risco de trombose microvascular na interface materno-fetal, levando a esses desfechos adversos.

Quais são os sinais de gravidade na pré-eclâmpsia?

Os sinais de gravidade incluem: pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, proteinúria maciça (embora não seja mais critério isolado), sinais de iminência de eclâmpsia (cefaleia, escotomas, epigastralgia), edema agudo de pulmão, insuficiência renal, e a Síndrome HELLP (hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia).

Qual a conduta após um hematoma hepático na síndrome HELLP?

O hematoma hepático é uma complicação rara e gravíssima da síndrome HELLP, com risco de ruptura e choque hemorrágico. O manejo exige estabilização hemodinâmica, monitorização em UTI, suporte transfusional e, em casos de ruptura, intervenção cirúrgica ou embolização. Após a recuperação, a investigação de causas subjacentes como trombofilias é mandatória.

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