Trombofilia Adquirida: O Risco na Síndrome Nefrótica

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Entre os fatores de risco para tromboembolismo venoso indicados abaixo, qual é devido à trombofilia adquirida?

Alternativas

  1. A) Deficiência de antitrombina III.
  2. B) Deficiência de proteína S.
  3. C) Síndrome nefrótica.
  4. D) Mutação do fator V de Leiden.
  5. E) Anticorpo anticardiolipina.

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica → perda urinária de anticoagulantes (antitrombina III) = estado de hipercoagulabilidade adquirida.

Resumo-Chave

A síndrome nefrótica é uma causa clássica de trombofilia adquirida. A proteinúria maciça leva à perda renal de proteínas de baixo peso molecular, incluindo anticoagulantes naturais como a antitrombina III, resultando em um estado pró-trombótico e risco elevado de tromboembolismo venoso.

Contexto Educacional

O tromboembolismo venoso (TEV) é uma condição multifatorial, cujos fatores de risco podem ser classificados em hereditários ou adquiridos, conhecidos como trombofilias. As trombofilias hereditárias incluem mutações genéticas como o Fator V de Leiden e deficiências de anticoagulantes naturais. Já as adquiridas surgem de condições clínicas que alteram o equilíbrio hemostático. A síndrome nefrótica é um exemplo proeminente de causa adquirida de TEV. Sua fisiopatologia envolve uma lesão glomerular que resulta em proteinúria maciça (>3.5g/24h). Essa perda indiscriminada de proteínas no filtrado glomerular inclui não apenas a albumina, mas também proteínas de menor peso molecular essenciais para a anticoagulação, como a antitrombina III e a proteína S. A depleção desses anticoagulantes naturais cria um estado de hipercoagulabilidade. Clinicamente, o risco de trombose em pacientes nefróticos é significativo, sendo a trombose da veia renal a mais clássica, mas eventos em outros sítios, como trombose venosa profunda e embolia pulmonar, também são comuns. O manejo envolve o tratamento da doença de base para reduzir a proteinúria e, em casos selecionados de alto risco (ex: albumina < 2.5 g/dL), a consideração de anticoagulação profilática.

Perguntas Frequentes

Quais são os mecanismos de trombose na síndrome nefrótica?

A trombose ocorre por múltiplos fatores: perda urinária de anticoagulantes (antitrombina, proteína S), aumento da síntese hepática de procoagulantes (fibrinogênio, fatores V e VIII), hemoconcentração por hipovolemia e aumento da agregação plaquetária.

Quando se deve anticoagular profilaticamente um paciente com síndrome nefrótica?

A anticoagulação profilática é controversa, mas deve ser considerada em pacientes com hipoalbuminemia severa (albumina sérica < 2.0-2.5 g/dL), especialmente se houver outros fatores de risco para TEP, como imobilização ou história prévia de trombose.

Como diferenciar trombofilia adquirida de hereditária na prática clínica?

A trombofilia hereditária é suspeitada em pacientes jovens (<50 anos) com TEP sem fator de risco aparente, história familiar positiva ou tromboses em locais atípicos. A adquirida está associada a condições subjacentes como câncer, síndrome nefrótica, gravidez ou síndrome antifosfolípide.

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