Tromboembolismo Pulmonar: Diagnóstico e Sinais Chave

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 52 anos, branca, obesa, foi admitida no PS com dispneia aos mínimos esforços há 2 horas, dor torácica ventilatório-dependente à esquerda. No atendimento inicial, apresentava agitação psicomotora, taquipneica. HPP: Terapia de reposição hormonal há 6 meses, HAS em tratamento, FC:145 bpm, FR: 36 ipm, PA: 100x85 mmHg, Sat O2: 88%, Tax: 36,7°. Ausculta cardíaca mostrava ritmo regular, 2 T, com hiperfonese de B2 em foco pulmonar, sem sopros. Avaliação pulmonar, expansibilidade diminuída em bases, FTV diminuído, macicez em base esquerda e MV diminuído difusamente. Abdome sem alterações, edema em membro inferior direito (+++/4+) mole e indolor, sem dor a dorsoflexão. Nesse momento, qual a principal suspeita?

Alternativas

  1. A) Pneumotórax espontâneo
  2. B) Pleurite
  3. C) Tromboembolismo Pulmonar
  4. D) Derrame pleural

Pérola Clínica

Dispneia súbita + dor pleurítica + taquicardia/taquipneia + hipoxemia + fatores de risco (TRH, obesidade, DVT) = TEP até prova em contrário.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dispneia súbita, dor torácica ventilatório-dependente, taquicardia, taquipneia e hipoxemia, associado a fatores de risco como terapia de reposição hormonal, obesidade e sinais de trombose venosa profunda (edema unilateral de membro inferior), é altamente sugestivo de Tromboembolismo Pulmonar (TEP). A hiperfonese de B2 em foco pulmonar pode indicar hipertensão pulmonar aguda, um achado possível no TEP.

Contexto Educacional

O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela oclusão de uma ou mais artérias pulmonares por um trombo, geralmente originado de uma trombose venosa profunda (TVP) nos membros inferiores. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com fatores de risco como terapia de reposição hormonal, obesidade e sinais de TVP, como o edema unilateral de membro inferior. O quadro clínico clássico de TEP inclui dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, taquipneia e hipoxemia. No exame físico, a hiperfonese de B2 em foco pulmonar pode ser um sinal de hipertensão pulmonar aguda. A avaliação inicial deve incluir a estratificação de risco para TEP (ex: Escala de Wells) e a solicitação de exames complementares como D-dímero e angiotomografia de tórax, que é o padrão-ouro para o diagnóstico. O manejo do TEP envolve a anticoagulação imediata para prevenir a progressão do trombo e a recorrência. Em casos de TEP de alto risco, pode ser necessária a trombólise ou embolectomia. Para residentes, é crucial ter um alto índice de suspeição para TEP, reconhecer os fatores de risco e os sinais clínicos, e saber conduzir a investigação diagnóstica e o tratamento inicial de forma rápida e eficaz para reduzir a morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Tromboembolismo Pulmonar (TEP)?

Os principais fatores de risco para TEP incluem imobilização prolongada, cirurgias recentes (especialmente ortopédicas), câncer, trombofilias, uso de contraceptivos orais ou terapia de reposição hormonal, obesidade, gravidez e puerpério, e história prévia de TEP ou trombose venosa profunda (TVP).

Quais exames complementares são indicados para confirmar a suspeita de TEP?

Após a avaliação clínica e estratificação de risco (ex: Escala de Wells), exames como D-dímero (se baixa probabilidade), angiotomografia de tórax (padrão-ouro), cintilografia pulmonar de ventilação/perfusão (V/Q) e ultrassonografia com Doppler de membros inferiores (para TVP) são indicados para confirmar ou excluir o diagnóstico de TEP.

Como diferenciar TEP de outras causas de dor torácica e dispneia?

A diferenciação de TEP de outras causas como pneumotórax, derrame pleural, pneumonia ou infarto agudo do miocárdio é feita pela combinação de história clínica, fatores de risco, exame físico e exames complementares. A dor pleurítica, dispneia súbita e taquicardia, na ausência de achados pulmonares ou cardíacos que justifiquem o quadro, devem sempre levantar a suspeita de TEP.

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