TEP: Diagnóstico em Pacientes Internados com Dispneia Súbita

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 74 anos de idade, com história prévia de obesidade e diabetes mellitus tipo 2, está internada na enfermaria há 6 dias, devido a quadro de infecção do trato urinário. Está em antibioticoterapia, com boa resposta inicial, estando em programação de alta hospitalar. Porém, há algumas horas apresentou quadro súbito de dispneia, com episódio de hemoptise e necessidade de oxigenioterapia suplementar, sendo encaminhada para a unidade de terapia intensiva. Ao exame físico, a paciente apresenta frequência respiratória de 30ipm, saturação periférica de oxigênio de 92%, em uso de cateter nasal 5L/min. A ausculta cardiopulmonar não apresenta alterações. No exame das extremidades, é detectado edema assimétrico em membro inferior direito, com bom enchimento capilar bilateral. Sem outras alterações ao exame. Foram solicitados eletrocardiograma e radiografia de tórax, que podem ser vistos nas imagens a seguir: Qual é o diagnóstico da paciente?

Alternativas

  1. A) Dissecção aguda de aorta.
  2. B) Infarto agudo do miocárdio sem supra desnivelamento de ST.
  3. C) Pneumonia nosocomial.
  4. D) Tromboembolismo pulmonar.

Pérola Clínica

Dispneia súbita + hemoptise + hipoxemia + TVP (edema assimétrico MID) em paciente internado = TEP.

Resumo-Chave

O quadro de dispneia súbita, hemoptise e hipoxemia em uma paciente idosa, obesa, diabética e internada (fatores de risco para TVP/TEP), associado a edema assimétrico em membro inferior, é altamente sugestivo de Tromboembolismo Pulmonar. A ausência de alterações em ECG e RX de tórax não exclui o diagnóstico.

Contexto Educacional

O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela oclusão de uma ou mais artérias pulmonares por um trombo, geralmente originado de uma Trombose Venosa Profunda (TVP) nos membros inferiores. É uma das principais causas de morte hospitalar evitável e sua incidência aumenta com a idade e a presença de comorbidades. A fisiopatologia envolve a tríade de Virchow (estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade), que leva à formação do trombo. Os sintomas clássicos incluem dispneia súbita, dor torácica pleurítica, tosse e, em alguns casos, hemoptise. O exame físico pode revelar taquipneia, taquicardia e sinais de TVP, como edema assimétrico de membros inferiores. O diagnóstico de TEP é desafiador devido à inespecificidade dos sintomas. A suspeita clínica é crucial, especialmente em pacientes com fatores de risco. Exames como D-dímero, angiotomografia de tórax e ultrassom Doppler de membros inferiores são fundamentais. O tratamento envolve anticoagulação, e em casos graves, trombólise ou embolectomia, visando prevenir a recorrência e reduzir a mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para TEP em pacientes internados?

Fatores de risco incluem imobilização prolongada, cirurgia recente, câncer, obesidade, idade avançada, doenças crônicas como diabetes e infecções, como a ITU no caso, que aumentam o risco de TVP e TEP.

Quais exames complementares são úteis na suspeita de TEP?

Após a suspeita clínica, exames como D-dímero (se baixa probabilidade), angiotomografia de tórax (padrão-ouro), cintilografia pulmonar e ultrassom Doppler de membros inferiores para TVP são essenciais para confirmar o diagnóstico.

Por que o ECG e a radiografia de tórax podem ser normais no TEP?

O ECG e a radiografia de tórax são frequentemente normais no TEP, especialmente em casos não maciços. Alterações como taquicardia sinusal ou sinais de sobrecarga de VD podem ocorrer, mas sua ausência não exclui o diagnóstico, que é eminentemente clínico.

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