FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022
Paciente de 54 anos, feminino, é admitida em unidade de emergência por quadro de dispneia iniciada há 2 horas, enquanto realizava atividades domésticas. Realiza acompanhamento ambulatorial por neoplasia de mama apenas com hormonioterapia. Não possui outras comorbidades e não é tabagista. Ao exame físico, apresentava-se com frequência respiratória de 28 ipm, frequência cardíaca de 110 bpm e saturação de O₂ 88% em ar ambiente. Ausculta pulmonar sem ruídos adventícios e presença de edema assimétrico em membro inferior esquerdo. Assinale a alternativa correta:
TEP alto risco (câncer, dispneia, hipoxemia, TVP) → AngioTC + marcadores cardíacos (troponina, pró-BNP) + ECO para estratificação.
Em pacientes com alta probabilidade clínica de TEP, a investigação deve prosseguir diretamente para exames de imagem como a angiotomografia. Após a confirmação, a avaliação da repercussão hemodinâmica e da sobrecarga do ventrículo direito com ecocardiograma e marcadores cardíacos é crucial para estratificação de risco e manejo adequado.
O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, sendo uma das principais causas de morte evitável em pacientes hospitalizados. A suspeita clínica é fundamental, especialmente em pacientes com fatores de risco como neoplasias, que aumentam significativamente a chance de eventos trombóticos. A apresentação clássica inclui dispneia aguda, dor torácica pleurítica e taquicardia, mas pode ser inespecífica. O diagnóstico de TEP baseia-se na avaliação da probabilidade clínica (utilizando escores como o de Wells ou Geneva), seguida por exames complementares. Em pacientes com alta probabilidade clínica, a angiotomografia de tórax com protocolo para TEP (AngioTC) é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico. O D-dímero, por sua vez, é mais útil para excluir TEP em pacientes de baixa ou intermediária probabilidade. Após a confirmação do TEP, a estratificação de risco é crucial para guiar o tratamento. Exames como o ecocardiograma, pró-BNP e troponina são utilizados para avaliar a presença de disfunção ventricular direita e lesão miocárdica, indicando um TEP de alto ou intermediário risco, que pode necessitar de terapias mais agressivas além da anticoagulação. A anticoagulação deve ser iniciada prontamente, a menos que haja contraindicações absolutas, e não deve ser condicionada à realização da tomografia em casos de alta suspeita e instabilidade hemodinâmica.
Os principais fatores de risco para TEP incluem câncer, cirurgias recentes, imobilização prolongada, trombofilias, uso de contraceptivos orais e gravidez. A paciente do caso apresenta neoplasia de mama, um fator de risco significativo.
O D-dímero é útil para excluir TEP em pacientes com baixa ou intermediária probabilidade clínica (avaliada por escores como o de Wells). Em pacientes com alta probabilidade, como a descrita, o D-dímero não é o próximo passo, pois um resultado positivo não confirmaria o diagnóstico e um negativo seria improvável.
Esses exames são solicitados para estratificar o risco de mortalidade do paciente com TEP. O ecocardiograma avalia a sobrecarga do ventrículo direito, enquanto o pró-BNP e a troponina indicam disfunção e lesão miocárdica, respectivamente, associadas a um pior prognóstico.
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