TEP: Fatores de Risco e Sinais de Alerta

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 65 anos, chega ao departamento de emergência com queixa de dor em hemitórax esquerdo, com início súbito há 8 horas e piora progressiva. A dor não estava relacionada ao esforço, não tinha irradiação e estava associada à dispneia. A paciente é obesa e trata hipertensão arterial sistêmica com amilodipina.Exame clínico: FC 110 bpm; FR 32 irpm; PA 125x86 mmHg; Sat O₂ 92% em ar ambiente; T 35,9° C.Ausculta respiratória e cardiovascular com MV+ s/RA. BRNF 2T sem sopros. Boa perfusão periférica, pulsos cheios e simétricos nos quatro membros.MID com edema 1+/4+, MIE com edema 3+/4+, com uma diferença de 3,8 cm no diâmetro das duas panturrilhas.Considerando a hipótese diagnóstica, qual é o principal fator de risco para o evento? 

Alternativas

  1. A) Insuficiência venosa de membros inferiores. 
  2. B) Idade avançada. 
  3. C) Internação recente por insuficiência cardíaca ou fibrilação atrial. 
  4. D) Viagem aérea recente de longa duração. 

Pérola Clínica

Dor torácica súbita + dispneia + taquicardia + hipoxemia + TVP unilateral = alta suspeita de TEP.

Resumo-Chave

O quadro clínico da paciente é altamente sugestivo de Tromboembolismo Pulmonar (TEP), com evidência de Trombose Venosa Profunda (TVP) no membro inferior esquerdo. A identificação dos fatores de risco é crucial para o diagnóstico e manejo. Internação recente por condições clínicas agudas, como insuficiência cardíaca ou fibrilação atrial, é um dos fatores de risco mais potentes para TVP/TEP.

Contexto Educacional

O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela oclusão de uma ou mais artérias pulmonares por um trombo, geralmente originado de uma Trombose Venosa Profunda (TVP) nos membros inferiores. É uma das principais causas de morte hospitalar evitável, e seu diagnóstico precoce e manejo adequado são cruciais. A apresentação clínica do TEP é variada, mas a paciente do caso apresenta os sinais clássicos: dor torácica súbita, dispneia, taquicardia, taquipneia e hipoxemia. A presença de edema assimétrico em membros inferiores, com diferença significativa de diâmetro, reforça a suspeita de TVP subjacente. A avaliação de risco, como o escore de Wells, é fundamental para guiar a investigação diagnóstica. A identificação dos fatores de risco é essencial. Embora obesidade e idade avançada sejam fatores, a internação recente por condições clínicas agudas, como insuficiência cardíaca ou fibrilação atrial, é um dos fatores de risco mais potentes para o desenvolvimento de TVP e TEP, devido à imobilização, inflamação e estado pró-trombótico associados. O tratamento envolve anticoagulação e, em casos selecionados, trombólise ou embolectomia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de Tromboembolismo Pulmonar (TEP)?

Os sintomas clássicos incluem dispneia súbita, dor torácica pleurítica, taquicardia, taquipneia e, em casos graves, hipotensão e choque. A hipoxemia é comum.

Como a Trombose Venosa Profunda (TVP) se relaciona com o TEP?

A maioria dos casos de TEP é causada por um trombo que se desprende de uma TVP, geralmente nos membros inferiores, e migra para a circulação pulmonar.

Quais fatores de risco aumentam a chance de TEP?

Fatores de risco incluem internação recente (especialmente por insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, AVC), cirurgia recente, câncer, trauma, imobilização prolongada, obesidade, idade avançada, uso de estrogênios e trombofilias.

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