IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2021
Uma senhora de 47 anos está no segundo pós-operatório de gastrectomia com linfadenectomia, por adenocarcinoma gástrico localizado. Tem antecedentes de hipertensão arterial e de hipotireoidismo. Queixa- se de dor em epigastrio e de dispneia de início súbito. Dreno abdominal: 40 mL de secreção serossanguinolenta fluida, nas últimas 24 horas. Pulso: 110 bpm, PA: 100 x 70 mmHg, frequência respiratória: 34 irpm, temperatura: 36 °C, satO2: 90%, com cateter de oxigênio. A radiografia de tórax não mostra alterações. Hipótese diagnóstica mais provável e conduta:
Pós-op cirurgia abdominal + dispneia súbita + taquicardia + dessaturação + RX tórax normal → TEP. Conduta: TC de tórax.
Em um paciente no pós-operatório de cirurgia abdominal de grande porte, a ocorrência súbita de dispneia, taquicardia e dessaturação, mesmo com radiografia de tórax normal, deve levantar forte suspeita de Tromboembolismo Pulmonar (TEP). A tomografia computadorizada de tórax com protocolo para TEP (angiotomografia) é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico.
O Tromboembolismo Pulmonar (TEP) é uma complicação grave e potencialmente fatal, especialmente em pacientes no pós-operatório de cirurgias de grande porte, como a gastrectomia com linfadenectomia. A cirurgia abdominal, a imobilização e a presença de malignidade (adenocarcinoma gástrico) são fatores de risco significativos para a formação de trombos venosos profundos (TVP) que podem embolizar para os pulmões. A suspeita clínica de TEP é crucial, pois o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem salvar vidas. Os sintomas clássicos de TEP incluem dispneia de início súbito, dor torácica pleurítica, taquicardia e dessaturação. No entanto, a apresentação pode ser atípica, como dor epigástrica, o que pode confundir o diagnóstico. A radiografia de tórax é frequentemente normal em casos de TEP, servindo mais para excluir outras causas de dispneia, como pneumonia ou pneumotórax. A presença de hipotensão e taquicardia indica um TEP de alto risco, exigindo intervenção imediata. Diante de uma forte suspeita clínica, a conduta mais apropriada é a realização de uma tomografia computadorizada de tórax com protocolo para TEP (angiotomografia). Este exame permite a visualização direta dos trombos nas artérias pulmonares e é o padrão-ouro para o diagnóstico. O tratamento envolve anticoagulação plena, e em casos de instabilidade hemodinâmica, pode ser necessária trombólise ou embolectomia. A profilaxia para TEP é fundamental no pré e pós-operatório de pacientes de risco.
Os principais fatores de risco incluem cirurgia de grande porte (especialmente abdominal ou ortopédica), imobilização prolongada, idade avançada, malignidade (como adenocarcinoma gástrico), obesidade, história prévia de TEP/TVP e uso de estrogênios.
A radiografia de tórax é frequentemente normal em casos de TEP, especialmente nos estágios iniciais, pois as alterações parenquimatosas (como infarto pulmonar) podem levar tempo para se desenvolver ou serem sutis. Sua principal função é excluir outras causas de dispneia, como pneumonia ou pneumotórax.
O exame padrão-ouro para o diagnóstico de TEP é a angiotomografia computadorizada de tórax (angio-TC de tórax), que permite visualizar diretamente os trombos nas artérias pulmonares. Em casos de contraindicação à angio-TC, a cintilografia pulmonar de ventilação/perfusão pode ser uma alternativa.
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